A idiossincrasia afetiva da experiência: (re-)investigando o medo de falar inglês através de uma perspectiva vygotskiana
DOI:
https://doi.org/10.58967/caletroscopio.v4.n7.2016.3701Resumo
O objetivo do presente estudo é analisar como o medo é discursivamente construído em narrativas compartilhadas no contexto de sala de aula. Para tanto, apoio-me no conceito de perezhivanie (VYGOTSKY, 1993) e na distinção proposta pelo autor entre o sentido e o significado das palavras. O arcabouço teórico dessa pesquisa fundamenta-se no entendimento dos afetos como construções sócio-discursivas (BELLI, 2009), que se concretizam sequencialmente quando estruturados em narrativas (HANNINEN, 2003; EDWARDS, 1997). Como ferramenta de análise dos dados, lanço mão do modelo de análise de narrativa desenvolvido por Cohn (1978). A metodologia aqui proposta insere-se no viés da pesquisa qualitativa. Serão analisadas duas narrativas geradas em sala de aula que versam sobre o medo. As análises sugerem que o nível de consonância entre o eu da narrativa e o eu da experiência (COHN, 1978) é constantemente manipulado pelos narradores, visando a atender aos seus interesses sociais vigentes em cada interação.
Downloads
Referências
ALLWRIGHT, D. Planning for understanding: A new approach to the problem of method. In: SALIÉS, T. G.; HEMAIS, B. (eds.) Pesquisas em Discurso Pedagógico: vivenciando a escola. Rio de Janeiro: PUC/Projeto IPEL Escola, Vol. 2, 2003. ALLWRIGHT, D.; BAILEY, K. M., Focus on the Language Learner. Cambridge: Cambridge University Press, 2001. ARNOLD, J. Affect in Language Learning. Cambridge: Cambridge University Press, 1999. BAUMAN, Z. Medo Líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. BELLI, S. La construcción de una emoción y su relación con el lenguaje: Revisión y discusión de una área importante en las Ciencias Sociales. Theoria , V. 18, 2009. p. 15-36. BOISSY, A. Fear and fearfulness in animals. PubMed, 1995. p. 91-165 COHN, D. Transparent Minds. Narrative Modes for Presenting Consciousness in Fiction. Princeton: Princeton University Press. 1978. EDWARDS, D. Emotion. Discourse and cognition. London: Sage Publications, Ltd. 1997. EWALD, C. X. “Eu não tô só participando. Tô usufruindo também.” Prática Exploratória na formação do professor pesquisador”. Tese (de Doutorado em Estudos da Linguagem) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015. 326f. HANNINEN, K. Perspectives on the narrative construction of emotions. ELORE, vol. 14, 2007. Disponível em: <http://www.elore.fi /arkisto/1_07/han1_07.pdf.> acesso em: 20/05/2016. HOLZMAN, L. Vygotsky's Zone of Proximal Development: The Human Activity Zone. Lois. Presentation, Annual Meeting of the American Psychological Association, 2002. MAHN, H.; JOHN-STEINER, V. “The Gift of Confidence: a Vygotskian view of emotions”. In: WELLS, G.; CLAXTON, G. Learning for Life in the 21st Century. Blackwell Publishers, 2002. p. 46 – 58. MULLER, G. Introduction. In: BEATA, C. et. al. La Peur: De l’animal à l’humain, de l’éthologia à la pathologie. Marseille: Solar editeurs, 2011. OLIVEIRA, M. K. O problema da afetividade em Vygotsky. In: LA TAILLE, Y. (Org.) Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992. p.75-84. SILVA, E. R.; ABUD, M. J. M. Lembranças afetivas das primeiras experiências discentes. Estudos Linguísticos, São Paulo, 42 (2), 2013. p. 692-704. VYGOTSKY, L. The collected works of L. Vygotsky: Vol. 1 Problems of general psychology. New York: Plenum, 1934/1987. VYGOTSKY, L. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
A Revista Caletroscópio deterá, por um período de três anos, os direitos autorais de todos os trabalhos aceitos para publicação: artigos, resenhas, traduções, etc. Fora essa restrição, os trabalhos estão licenciados com a Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Após esse tempo, caso o autor publique o texto, ainda que sejam feitas alterações no original, solicita-se que seja incluída, em nota de rodapé, a informação de que uma versão anterior do artigo foi publicada na Revista Caletroscópio, apresentando as devidas referências.