O reencantamento do mundo e o campo expandido na literatura
uma análise de Amor originário – Aline Kayapó e Edson Kayapó
DOI:
https://doi.org/10.58967/caletroscopio.v12.n1.2024.7400Palabras clave:
Campo expandido, Exterioridade, Rencantamento do mundo, Amor originárioResumen
Este artigo busca dialogar com a teoria de ‘campo expandido’ da literatura, defendido pela professora argentina Florencia Garramuño em sua obra A Experiência Opaca: literatura e desencanto (2012). Para isso, trabalha-se com o conto indígena do povo Mebengôkré Kayapó conhecido como “Amor originário”, narrado pelos contadores de histórias indígenas Aline Ngrenhtabare L. Kayapó e Edson Kayapó. Procura-se refletir como o conto indígena mobiliza o seu leitor para a imaginação, para o mundo, além de despertá-lo para outros sentidos como escutar a escrita. Para Garramuño (2012) o campo expandido relaciona-se com a “euxistenciateca do real”, segundo a qual é possível observar a experiência humana fragmentada e arquivada de maneira descontínua. Nesse sentido, o campo expandido na literatura atua como um espaço dinâmico e em constante evolução, segundo a qual a interpretação e a reinterpretação são essenciais para a compreensão da complexidade da vida e da expressão artística. Eis aí o reencantamento do mundo; pensar nessa literatura movente, que não trabalha sempre com as mesmas molduras e que pode expandir seu próprio conceito mobilizando seu leitor para o som, para o ouvir, movendo-o para lugares e devires. Modula-se a análise do conto observando como a narrativa se move lentamente, ou seja, o que se desdobra, se alonga, sussurra, também ecoando e vibrando no silêncio.
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Referencias
GARRAMUÑO, Florencia. A experiência opaca: literatura e desencanto. Trad. Paloma Vidal. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2012. KAYAPÓ, Aline Ngrenhtabare L.; KAYAPÓ, Edson. Amor Originário. In. NEGRO, Mauricio (Org. e Ilust.). Nós: uma antologia de literatura indígena. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2019. LIBRANDI, Marília. Escrever de ouvido: Clarice Lispector e os romances de escuta. Belo Horizonte: Relicário, 2020. LIBRANDI, Marília. Escutar a escrita: por uma teoria literária ameríndia. In. DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; CORREIA, Heloisa Helena Siqueira; DANNER, Fernando (Orgs.) Literatura indígena brasileira contemporânea: criação, crítica e recepção. [recurso eletrônico]. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2018, p. 195 – 223. NANCY, Jean-Luc. À escuta. Trad. Fernanda Bernardo. Edições Chão de Feira, Belo Horizonte, 2014.
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