Da tragédia ao romance: Os Maias (1888) de Eça de Queirós e a descrição do espaço como alegoria trágica
DOI:
https://doi.org/10.58967/caletroscopio.v6.n1.2018.3823Palavras-chave:
Os Maias, Tragédia Antiga, Romance, Ékphrasis, AlegoriaResumo
O presente artigo tem como objetivo principal discutir, a partir da ékphrasis do casarão da família Maia, presente no início do romance Os Maias (1888) de Eça de Queirós, elementos que, estruturantes, convertem o espaço em alegoria que não somente é capaz de mimetizar o caráter das personagens, mas sobretudo, oráculo que é, figurar seu destino, especialmente dos protagonistas do romance português. É nosso intento demonstrar, pois, particularmente na descrição do espaço, a sobrevida de elementos típicos da tragédia antiga no romance de Eça de Queirós, entendidos como fundamentais para sua carga significativa.
Downloads
Referências
AGNOLON, A. O Catálogo das Mulheres. São Paulo, Humanitas, 2010. ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Eudoro de Sousa. Colegação Os Pensadores. São Paulo, Abril Cultura, 1973. ASSMANN, A. Espaços da Recordação: Formas e Transformações da Memória Cultural. Campinas-SP: Editora da Unicamp, 2011. AUERBACH, E. Mimesis. São Paulo, Perspectiva, 2001. EAGLETON, T. Doce Violência: A Ideia do Trágico. São Paulo, Unesp, 2013. ÉSQUILO. Agamêmnon. Tradução, Introdução e Notas de Trajano Vieira. São Paulo, Perspectiva, 2007. EURÍPIDES. Hipólito. Tradução, Posfácio e Notas de Trajano Vieira. São Paulo, Editora 34, 2015. HANSEN, J. A. “Notas sobre o Gênero Épico” In: TEIXEIRA, Ivan (org.). Multiclássicos Épicos: Prosopopéia, O Uraguai, Caramuru, Vila Rica, A Confederação dos Tamoios, I-Juca-Pirama. São Paulo, Edusp, Imprensa Oficial, 2008. ________. Alegoria. São Paulo, Hedra, 2006. _________.“Categorias Epidíticas do Retrato”. Revista USP. São Paulo, n. 71. Setembro/Novembro 2006, pp. 85-105. HAUSER, A. História Social da Arte e da Literatura. São Paulo, Martins Fontes, 1998. HEGEL, G. W. F. Estética. Arte Clássica e Arte Romântica. Vol. IV. Lisboa, Guimarães Editores, 1972. KRIEGER, M. The Tragic Vision. Chicago, Londres, [s.n.], 1960. LIMA, Luiz Costa. O Controle do Imaginário & a Afirmação do Romance. São Paulo, Companhia das Letras, 2009. MARCUSE, H. Eros e Civilização. Rio de Janeiro, Zahar, 1981. MARTINS, P. “Ekphrasis, Digression and Elegy: The Propertius’ Second Book”. Classica. Vol. 30, n. 1, 2017, pp. 175-192. ORR, J. Tragic Drama and Modern Society. Londres, Macmillan, 1981. QUEIRÓS, Eça de. Os Maias – Episódios da Vida Romântica. Cotia/SP, Ateliê Editorial, 2003. SÓFOCLES. Filoctetes. Tradução, posfácio e notas de Trajano Vieira. São Paulo, Editora 34, 2009. ________. Édipo Rei. Tradução de Trajano Vieira. São Paulo, Perspectiva, 2004. STEINER, G. A Morte da Tragédia. São Paulo, Perspectiva, 2006. TEÓN, HERMÓGENEES, AFTÔNIO. Ejercicios de Retórica. Introducción, Traducción y Notas de Ma. Dolores Reche Martínez. Madrid, Editorial Gredos, 1991. VERNANT, J. P; VIDAL-NAQUET, P. Mito e Tragédia na Grécia Antiga. São Paulo, Perspectiva, 1999. VERNANT, J-P. As Origens do Pensamento Grego. Rio de Janeiro, Difel, 2002. WATT, I. A Ascensão do Romance. São Paulo, Companhia das Letras, 2010.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
A Revista Caletroscópio deterá, por um período de três anos, os direitos autorais de todos os trabalhos aceitos para publicação: artigos, resenhas, traduções, etc. Fora essa restrição, os trabalhos estão licenciados com a Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Após esse tempo, caso o autor publique o texto, ainda que sejam feitas alterações no original, solicita-se que seja incluída, em nota de rodapé, a informação de que uma versão anterior do artigo foi publicada na Revista Caletroscópio, apresentando as devidas referências.