O espelho invertido de Íon: o percurso do dizer-a-verdade na narração de Padre Justino, em Crônica da casa assassinada

Autores

  • Patrícia Chanely Silva Ricarte

DOI:

https://doi.org/10.58967/caletroscopio.v2.n2.2014.3573

Palavras-chave:

Crônica da casa assassinada, Lúcio Cardoso, parrésia

Resumo

Com base no pensamento de Michel Foucault, no curso O governo de si e dos ou­tros, examino, neste artigo, o percurso da parrésia ou dizer-a-verdade nos cinco capítulos do romance Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, atribuídos ao narrador Padre Justino. Nessa perspectiva, minha análise se atém a dois tipos de parrésia muito semelhantes aos que Foucault identifica e classifica na peça Íon, de Eurípides, como oracular e confessional. Enquanto em Íon esses discursos apre­sentam a função de instituir uma genealogia para a cidade de Atenas, em Crônica da casa assassinada, os atos parresiásticos empreendidos por Padre Justino e Ana Meneses possuem, em seu conjunto, um sentido inverso ao da peça euripidiana, na medida em que estão a serviço da abolição de uma tradição familiar.

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Publicado

2014-06-23

Edição

Seção

Artigos