Disputas de poder sob a égide de São Jorge
as “complicações” entre uma devoção e um vigário em Quintino Bocaiúva, 1950
Palabras clave:
Paróquia São Jorge Mártir, Quintino Bocaiúva, Dom Filipe Tiago Broers, Devoção de São JorgeResumen
Em fins de 1950, na recém erigida Matriz de São Jorge Mártir, em Quintino Bocaiúva (Rio de Janeiro), frei Filipe Broers deparava-se com uma paróquia tomada pelo “espírito de irmandade”. Encumbido da missão de atuar como vigário substituto na ausência do pároco, frei Filipe seria pego em uma rede de desentendimentos de caráter pecuniário e conflitos pelo poder com a diretoria da devoção de São Jorge, associação leiga que reunia-se no espaço da nova igreja desde ao menos 1929 e de significativa importância para a construção, tanto no campo da fé quanto do aspecto material, dessa comunidade. A partir de documentos custodiados pelo Arquivo da Cúria da Diocese de Teixeira de Freitas/Caravelas, da qual frei Filipe viria a ser nomeado como o primeiro bispo em 1963, este trabalho volta seu olhar de análise para os espaços sagrados do catolicismo cotidiano, entendendo-os também como lugares de disputa que, se por um lado baseiam-se em uma espécie de tradição (o “espírito de irmandade”, como se verá adiante), munem-se dos códigos canônicos e da intervenção de autoridades da Igreja para fazer valer seus interesses. Nesse sentido, os registros deixados por frei Filipe à respeito de seus poucos meses em Quintino Bocaiúva revelam um aspecto da Igreja Católica que afastava-se cada vez mais da retidão ortodoxa que se buscou emperar.
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Derechos de autor 2026 Julia Carminate Torres

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