Ephemera: Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto
https://periodicos.ufop.br/ephemera
<p style="text-align: justify;">ISSN: 2596-0229<br>Qualis A1</p> <p style="text-align: justify;">O Periódico publica ensaios e artigos resultantes de revisões bibliográficas, relatos de investigações e experimentações, pesquisas acadêmicas e reflexões criativas sobre processos contemporâneos de criação e sobre marcos históricos importantes nas Artes Cênicas, aceitando contribuições de autores nacionais e estrangeiros, de modo a colaborar com o crescimento e difusão do conhecimento da área na América Latina.<br>Publicação do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura (IFAC) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).<br>Publicação quadrimestral.</p>Universidade Federal de Ouro Pretopt-BREphemera: Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto2596-0229<p>O/As autore/as mantêm os direitos autorais sobre os documentos publicados pelo periódico e cedem ao periódico o direito de publicação dos textos e de seus metadados (em múltiplos suportes e formatos), inclusão em bases de dados e assinatura de acordos de indexação atuais e futuros (mesmo com licenças menos restritivas, para os textos, ou sem restrições, para os metadados), de modo a garantir a indexação do documento publicado e de seus metadados. </p> <p>O documento publicado será distribuído nos termos da<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/br/"> Licença Creative Commons Atribuição - Não-Comercial 4.0 Internacional (CC-BY-NC)</a> que permite o uso, a distribuição e reprodução em qualquer meio desde que sem fins comerciais e que o artigo, os autores e o periódico sejam devidamente citados.</p>Expediente
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2025-12-152025-12-1581610.70446/ephemera.v8i16.8374Manter Viva a atividade no Abano
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8294
<p>Apresentação do Dossiê "Poéticas Negras e Periféricas no contexto da América Latina" - 1: Manter Viva a atividade no Abano</p>Altemar Gomes MonteiroAnderson Feliciano da Silva
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2025-11-062025-11-0681610.70446/ephemera.v8i16.8294To fan the fire
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8370
<p>.</p>Altemar Gomes MonteiroAnderson Feliciano da Silva
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2025-12-092025-12-0981610.70446/ephemera.v8i16.8370Há mesmo justiça em crimes de sangue?
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8087
<p>“Oréstia” é um marco histórico nas Artes Cênicas e Literárias, devido a fatores estéticos e políticos que ressoam na contemporaneidade, como os crimes contra mulheres cometidos por seus familiares. Portanto, é relevante analisar criticamente a sua atualidade como representação de um antagonismo social, cuja continuidade resultou na demanda por tipificação como crime específico: o feminicídio. Tendo isso em consideração, contextualizamos o tema na tradição literária feminista, para então compreender de que maneira uma experiência negra e caribenha pode complexificar a discussão sobre violência genderizada atravessada pelo racismo. Ao contrastar o clássico grego com um conto contemporâneo de ficção científica caribenha de Nalo Hopkinson, chamado “O Truque da Garrafa de Vidro”, a partir de uma perspectiva feminista e negra, notamos a presença de uma série de elementos intertextuais que conectam as “maldições sociais” de Clitemnestra à heroína caribenha Beatrice. Em ambos os textos é a presença das Erínias (Fúrias) que movimenta a discussão pertinente sobre justiça retributiva e consciência contracolonial.</p>Anne Quiangala
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2025-10-062025-10-0681610.70446/ephemera.v8i16.8087Is There Justice in Violent Family-Related Crimes?
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8292
<p>“The Oresteia” is a historical landmark in the fine arts, such as theatre and literature, due to its aesthetic and political elements that continue to impact contemporary life, particularly in the realm of family-related crimes. Therefore, it is relevant to analyze the permanence of that phenomenon with a critical lens. Since their relevance today is as a kind of representation of social antagonism, which continues, it results in demands for typing as a specific crime: femicide. Considering that, we contextualize these themes in the Feminist Literary tradition to comprehend how a Black female Caribbean experience can complicate the discussion about gendered and racialized violence. Contrasting the Greek classic with a contemporary short story entitled “The Glass Bottle Trick” by Nalo Hopkinson through a Black female feminist perspective, it is possible to observe some intertextual elements that connect the “social curses” experienced by Clytemnestra, and likewise the Heroine Beatrice. In both of these texts, the presence of Erinyes (The Furies) influences the discussion about retributive justice and countercolonial conscience.</p>Anne Quiangala
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2025-11-052025-11-0581610.70446/ephemera.v8i16.8292Margens que deslocam o centro
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8148
<p>Este artigo analisa as práticas artísticas de Rosângela Silvestre, Astrid González e Kettly Noël, destacando como seus trabalhos articulam corpo, território e temporalidade espiralar. Por meio de pesquisa qualitativa com revisão bibliográfica, observação de aulas e análise crítica, o estudo investiga como essas artistas mobilizam saberes ancestrais e contemporâneos para criar tecnologias corporais de resistência e reinvenção. O artigo evidencia que suas práticas desafiam concepções lineares e eurocentradas de tempo, propondo uma circulação entre tradição e contemporaneidade. Além disso, enfatiza o corpo feminino negro como território político e poético, central na construção de outras epistemologias e na afirmação de presenças negras na arte latino-americana. Conclui-se que essas trajetórias não apenas questionam as margens impostas, mas também criam modos próprios de ensinar, dançar e existir, em que o corpo é simultaneamente espaço pedagógico, cênico e discursivo.</p>Ana Beatriz Coutinho RezendeLara Barbosa Couto
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2025-08-072025-08-0781610.70446/ephemera.v8i16.8148Margins that shift the center
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8325
<p>This article analyzes the artistic practices of Rosângela Silvestre, Astrid González, and Kettly Noël, highlighting how their work articulates body, territory, and spiral temporality. Using qualitative research, including literature review, class observation, and critical analysis, the study investigates how these artists activate ancestral and contemporary knowledge to create embodied technologies of resistance and reinvention. The article demonstrates that their practices challenge linear and Eurocentric conceptions of time, proposing a dynamic relationship between tradition and contemporaneity. It also emphasizes the black female body as a political and poetic territory, central to building other epistemologies and affirming black presences in Latin American art. The study concludes that their trajectories not only contest imposed margins but also create their own ways of teaching, dancing, and existing, where the body becomes a pedagogical, performative, and discursive space.</p>Ana Beatriz Coutinho RezendeLara Barbosa Couto
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2025-11-182025-11-1881610.70446/ephemera.v8i16.8325Eles pensados por elas
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8161
<p>Este artigo propõe uma leitura da obra dos Racionais MC’s a partir das contribuições de autoras feministas negras, como bell hooks (2019; 2022), Audre Lorde (2019), Patricia Hill Collins (2019) e Saidiya Hartman (2022), que oferecem ferramentas teórico-metodológicas para a valorização de saberes produzidos nas margens. A análise parte da construção de subjetividades negras atravessadas pelo racismo, discute o <em>rap</em> como instrumento de empoderamento político e aborda a fabulação crítica como prática contra-histórica. Ancorada no documentário “Racionais: Das Ruas de São Paulo pro Mundo”, a reflexão evidencia como o grupo articula narrativas que denunciam violências estruturais e afirmam possibilidades de existência e consciência política entre jovens negros periféricos.</p>Maria Fernanda de Oliveira Ruas
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2025-10-062025-10-0681610.70446/ephemera.v8i16.8161Black Men Through Black Women’s Lens
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8327
<p>This article proposes a reading of the work of the Racionais MC’s based on the contributions of black feminist authors such as bell hooks (2019; 2022), Audre Lorde (2019), Patricia Hill Collins (2019) and Saidiya Hartman (2022), who offer theoretical and methodological tools for valuing knowledge produced in the margins. The analysis starts from the construction of black subjectivities crossed by racism, discusses rap as an instrument of political empowerment and addresses critical fabrication as a counter-historical practice. Anchored in the documentary “Racionais: Das Ruas de São Paulo pro Mundo” (Racionais MC’s: From the Streets of São Paulo), the reflection highlights how the group articulates narratives that denounce structural violence and affirm possibilities for existence and political awareness among young blacks from the periphery.</p>Maria Fernanda de Oliveira Ruas
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2025-11-182025-11-1881610.70446/ephemera.v8i16.8327Encantando a língua
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8115
<p>Este artigo investiga a experiência de jovens negros e/ou periféricos com a palavra-poesia, analisando suas possibilidades como instrumento de reexistência num contexto histórico de apagamento e invisibilização. O texto é fruto de uma pesquisa de mestrado realizada em 2023 cujos objetivos iniciais buscaram compreender o envolvimento dessas juventudes com a poesia em interface com a manifestação da palavra no cotidiano escolar. Seu caráter é qualitativo e ela foi realizada em um sarau de poesias marginais que acontece em uma escola pública do Ensino Médio. Utilizou enquanto metodologias: a observação participante, a realização de grupo de discussão e entrevistas narrativas individuais. Os interlocutores da pesquisa foram cinco estudantes do ensino médio que também são poetas. Os resultados indicam que a palavra-poesia é vivenciada simbolicamente pelos jovens como uma “arma” de enfrentamento a problemas sociais como o racismo, a desigualdade e o apagamento. A produção das palavras-poesias, nesse sentido, se materializam como possibilidade de produção de vida, em contraste com a produção da morte imposta pela sociedade a diversos grupos vulneráveis a partir de uma disputa de narrativas e poder. Conclui-se que a poesia marginal, entoada por juventudes negras e periféricas, é uma prática que aponta para possibilidades de existências em ambientes hostis. Ela produz “letramentos de reexistência” (Souza, 2009), confrontando estigmas e reafirmando discursos autênticos. A produção da palavra-poética se configura como uma prática social que permite a inscrição desses jovens na sociedade, afirmando suas identidades e resistindo às lógicas discursivas hegemônicas.</p>Natana Coelho
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2025-10-062025-10-0681610.70446/ephemera.v8i16.8115Enchanting the language
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8295
<p>This article investigates the experience of young black and/ or peripheral with the word-poetry, analyzing their possibilities as an instrument of reexistence in a historical context of erasure and invisibilization. The text is the result of a master’s research carried out in 2023 whose initial objectives sought to understand about the involvement of these youth with poetry at the interface with the manifestation of the word in school life. Its character is qualitative and it was held in a sarau of marginal poetry that takes place in a public high school. Used as methodologies: participant observation, discussion group and individual narrative interviews. The interlocutors of the research were 5 high school students who are also poets. The results indicate that the word-poetry is experienced symbolically by young people as a “weapon” to face social problems such as racism, inequality and erasure. The production of words-poetry, in this sense materialize as a possibility of life production, in contrast with the production of death imposed by society to several socially vulnerable groups from a dispute of narratives and power. It is concluded that the marginal poetry, sung by black and peripheral youth, is a practice that points to possibilities of existence in hostile environments. She produces “reexistence literacies” (Souza, 2009), confronting stigmas and reaffirming authentic discourses. The production of the poetic word is configured as a social practice that allows the registration of these young people in society, affirming their identities and resisting hegemonic discursive logics.</p>Natana Coelho
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2025-11-062025-11-0681610.70446/ephemera.v8i16.8295Educação na rítmica ancestral
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8130
<p style="margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify;">Este artigo objetiva evidenciar os saberes e as socioafetividades que constituíram a criatividade presente na música afrocarnavalesca do bloco afro Angola Janga, no Carnaval de Belo Horizonte (BH), destacando o ritmo como um dos elementos da Educação Popular Negra mobilizada pela festa. De natureza qualitativa e de cunho etnográfico, a observação participante nos ensaios do bloco e as entrevistas narrativas com duas pessoas integrantes da agremiação foram as fontes dos perceptos e dos acontecimentos analisados. Compreendeu-se que a atmosfera musical percussiva, articulada através da intersubjetividade e das mitopoesias dos <em>orixás</em>, detinha a potencialidade de instigar imaginários político-culturais enquanto uma prática de recriação dos saberes ancestrais africanos e afro-brasileiros, plasmados em sons, danças, performances, sensibilidades e outros saberes. Desse modo, a presente pesquisa contribui com os conhecimentos referentes à implementação da Lei n° 10.639/03 ao destacar um processo educativo que ocorria desde as corporeidades e experiências negras em movimentos de emancipação.</p>Marcone Loiola dos SantosNatalino Neves da Silva
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2025-10-062025-10-0681610.70446/ephemera.v8i16.8130Education in ancestral rhythms
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8310
<p>This article aims to highlight the knowledge and socio-affectivities that constitute the creativity present in the Afro-Carnaval music of the Bloco Afro Angola Janga, during the Belo Horizonte (BH) Carnaval. It highlights rhythm as a key element of Black Popular Education mobilized by the celebration. Qualitative and ethnographic in nature, the analysis is based on percepts and events gathered through participant observation during the bloco’s rehearsals and narrative interviews with two associate members. It was understood that the percussive musical atmosphere, articulated through intersubjectivity and the mythopoetics of the orixás, holds the potential to instigate political-cultural imaginaries as a practice of recreating ancestral African and Afro-Brazilian knowledges, expressed in sounds, dances, performances, sensibilities, and other forms of learning. Thus, this research contributes to the implementation of Law No. 10,639/03 by highlighting an educational process rooted in Black corporealities and experiences within emancipatory movements.</p>Marcone Loiola dos SantosNatalino Neves da Silva
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2025-11-102025-11-1081610.70446/ephemera.v8i16.8310Improvisação e Saberes de axé
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8154
<p>Esta entrevista tem por objetivo explorar, em chave negrorreferenciada, as interseções entre improvisação, pedagogia teatral e saberes de axé, a partir do diálogo entre Altemar Di Monteiro (UFMG) e Gustavo Melo Cerqueira (UNIRIO). A entrevista, realizada em maio de 2025, integra a pesquisa em andamento para o livro “Jogo Negro no Mundo.” A metodologia adotada foi a escuta em conversa aprofundada entre dois professores-pesquisadores negros e marcada por reciprocidade crítica e partilha de experiências acadêmicas. Como resultado, o texto explicita a importância dos repertórios do corpo e da memória nos processos formativos, articulando a improvisação como inteligência negra construída na relação com saberes da diáspora. A partir da noção de pedagogia espiralar, inspirada por Makota Valdina Pinto e pelas vivências em terreiros, articula-se a ideia de uma educação como axé, centrada na força vital, na ética da escolha e na autonomia dos estudantes. Conclui-se que tais pedagogias não devem ser reduzidas a tópicos de conteúdos, mas compreendidas como modos de existir e fazer aprender, convocando um compromisso com formas outras de presença e pensamento na universidade.</p>Gustavo Melo CerqueiraAltemar Gomes Monteiro
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2025-11-102025-11-1081610.70446/ephemera.v8i16.8154Improvisation and Knowledge of axé
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8368
<p>This interview aims to explore, based on a Black perspective, the intersections between improvisation, theater pedagogy, and axé knowledge based on a dialogue between Altemar Di Monteiro and Gustavo Melo Cerqueira. The interview, conducted in May 2025, belongs to ongoing research for the book “Jogo Negro no Mundo” (Black Game in the World). An in-depth conversation between two Black professor-researchers (marked by critical reciprocity and the sharing of academic experiences) was adopted as the methodology. As a result, this text explains the importance of body repertoires and memory in educational processes, defending improvisation as Black intelligence constructed in relation to diasporic knowledge. The notion of spiral pedagogy, inspired by Makota Valdina and experiences in terreiros, articulated the idea of an education as axé centered on the vital force, the ethics of choice, and student autonomy. Such pedagogies should not be reduced to content topics, but rather understood as ways of existing and learning, calling for a commitment to other forms of presence and thought at the university.</p>Gustavo Melo CerqueiraAltemar Gomes Monteiro
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2025-12-062025-12-0681610.70446/ephemera.v8i16.8368Conexões parciais entre ritual e performance em Bori
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8139
<p>O artigo analisa os atravessamentos entre o artístico e o religioso nas artes visuais, tendo como objeto a performance <em>Bori: Oferenda à cabeça</em> (2008), de Ayrson Heráclito. Busca-se compreender de que modo a obra mobiliza e ressignifica elementos do candomblé – em especial o ritual de oferecimento de alimentos ao ori (cabeça espiritual) – no campo da arte contemporânea, instaurando fricções entre arte e religião. Para desenvolver a análise, foram examinados documentações da obra elaboradas pela Pinacoteca de São Paulo, o catálogo da exposição em que a performance foi apresentada e entrevistas concedidas pelo artista. Esses elementos foram articulados a uma abordagem teórico-conceitual sustentada pelo referencial das “conexões parciais”, de Marilyn Strathern. Na ação performática, enquanto alabês cantam e tocam cânticos relacionados aos orixás, um performador compõe coroas de alimentos crus e cozidos sobre as cabeças de 12 artistas deitados em esteiras, que personificam filhos de diferentes divindades. O estudo enfatiza as sutilezas das etapas de preparação, ativação e desmobilização da performance, nas quais se evidencia a complexidade simbólica da transposição do ritual para o âmbito artístico. Argumenta-se que esse processo constrói um intrincado jogo de analogias que, ao mesmo tempo em que reitera a dimensão estética da obra, permite compreendê-la como um espaço de mediação entre ritualidade e criação artística. Assim, a performance de Heráclito evidencia a potência da arte contemporânea em tensionar fronteiras disciplinares, ao mesmo tempo em que valoriza saberes e práticas oriundos da ancestralidade afro-brasileira, contribuindo para ampliar os debates sobre memória, ritual e representação no sistema das artes.</p>Bianca Andrade TinocoDaniela Felix Martins
Copyright (c) 2025 Bianca Andrade Tinoco, Daniela Felix Martins
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2025-10-062025-10-0681610.70446/ephemera.v8i16.8139Partial connections between ritual and performance in Bori
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8311
<p>This article analyzes intersections between the artistic and the religious in visual arts, focusing on Ayrson Heráclito’s performance Bori: Oferenda à cabeça (2008). It seeks to understand how the work mobilizes and reinterprets elements of Candomblé—especially the ritual of offering food to the orí (spiritual head)—in the field of contemporary art, creating friction between art and religion. To develop the analysis, documentation of the work prepared by the Pinacoteca de São Paulo, the catalog of the exhibition in which the performance was presented, and interviews given by the artist were examined, articulated with a theoretical-conceptual approach based on Marilyn Strathern’s reference of “partial connections.” In the performance, while alabês sing and play songs related to orixás, a performer composes crowns of raw and cooked foods on the heads of 12 artists lying on mats, who personify the children of different deities. The study emphasizes the subtleties of the preparation, activation, and demobilization of the performance, which highlight the symbolic complexity of transposing the ritual into the artistic realm. It argues that this process constructs an intricate game of analogies that, while reiterating the aesthetic dimension of the work, allows it to be understood as a space of mediation between rituality and artistic creation. Thus, Heráclito’s performance highlights the power of contemporary art to stretch disciplinary boundaries, while valuing knowledge and practices derived from Afro-Brazilian ancestry, contributing to broadening debates on memory, ritual, and representation in the arts.</p>Bianca Andrade TinocoDaniela Felix Martins
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2025-11-112025-11-1181610.70446/ephemera.v8i16.8311Cabaré da Rrrrraça, Bando de Teatro Olodum
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8149
<p>O presente texto, parte de um estudo maior, apresenta reflexões sobre o processo criativo do espetáculo Cabaré da Rrrrraça (1997), do Bando de Teatro Olodum — SSA e a construção do mecanismo do riso (humor, ironia, cômico) como mecanismo de enfrentamento ao racismo. Tem como abordagem crítico-metodológica a crítica de processo de criação (Salles) e como alicerce: depoimentos de participantes (1997), o pensamento Decolonial (Quijano), Teoria da afrocentricidade (Asante), Teatro negro (Bakary Traoré) e Cosmovisão africana (Eduardo Oliveira). As reflexões desencadeadas culminam com a asserção: o riso/antirracista é construído via encruzilhamento (Exu) reificado nos corpos dos atuantes — corpo-riso-corporeidade-negra. É a partir do riso operador e disseminador do racismo que também se transgride esse regime, por meio de ações negrorreferenciadas. Pois, ao se materializar na corporeidade dos atuantes, enquanto espaço-tempo de encruzilhamento, o riso racista e o riso antirracista coexistem viabilizando o embate, a intervenção, a insurgência e sua ressignificação, o que este estudo tem denominado de riso decolonial.</p>Gildete Paulo Rocha
Copyright (c) 2025 Gildete Paulo Rocha
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2025-10-062025-10-0681610.70446/ephemera.v8i16.8149Rrrrraça Cabaret, Olodum Theater Group
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8330
<p>This text, part of a larger study, offers reflections on the creative process of the show Rrrrraça Cabaret (1997) by Olodum Theater Group — SSA, and the construction on the mechanism of laughter (humor, irony, and comedy) as a mechanism to face racism. Its critical-methodological approach is based on the critique of the creative process (Salles), and its foundation includes participant testimonies (1997), decolonial thought (Quijano), Afrocentricity theory (Asante), Black theater (Bakary Traoré), and African worldview (Eduardo Oliveira). Its reflections culminate in the assertion that anti-racist laughter is constructed via crossroads (Exu) that are reified in actors’ bodies — body-laughter-Black corporeality — and that, via laughter, which operates and disseminates racism, that this regime is also transgressed following Black-referenced actions, for, by materializing itself in the corporeality of the actors as a space-time of intersection, racist and anti-racist laughter coexist, enabling clash, intervention, insurgency, and its resignification — which this study has called decolonial laughter.</p>Gildete Paulo Rocha
Copyright (c) 2025 Gildete Paulo Rocha
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2025-11-192025-11-1981610.70446/ephemera.v8i16.8330(im)possível memória
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/7829
<p>O presente artigo trata do processo de criação dramatúrgica do espetáculo <em>(im)possível memória</em>. É apresentado o processo de construção do material textual, com ênfase na gênese do material, nos dispositivos e procedimentos de criação utilizados. Além disso, o trabalho reflete acerca das relações entre história, memória e dramaturgia, dialogando com o conceito de historiografia de artista.</p>Junia PereiraMarcos Antônio Alexandre
Copyright (c) 2025 Junia Pereira, Marcos Antônio Alexandre
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2025-10-302025-10-3081610.70446/ephemera.v8i16.7829(im)possible memory
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8365
<p>This article addresses the dramaturgical creation process of the show (im)possible memory. The process of building the textual material is presented, with emphasis on the genesis of the material and on the devices and creation procedures adopted. Furthermore, the work reflects on the interrelations between history, memory and dramaturgy, dialoguing with the concept of artist historiography. </p>Junia PereiraMarcos Antônio Alexandre
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2025-12-042025-12-0481610.70446/ephemera.v8i16.8365Amazonáfricas
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8133
<p>Este artigo investiga o engajamento, a crioulização e a semovência literárias nas poéticas de Amílcar Cabral e Bruno de Menezes, cujas trajetórias se inscrevem nas lutas de descolonização em Cabo Verde e no Brasil. Parte-se de uma análise comparativa, com base em referenciais relacionados ao contexto do estudo, para compreender como as obras desses autores expressam resistência à hegemonia cultural imposta pela colonialidade do poder. A metodologia fundamenta-se na leitura crítica e interpretativa das produções literárias e associada ao contexto histórico de formação das subjetividades colonizadas. Observa-se que, mesmo separados por contextos espaciais e temporais distintos, os dois poetas constroem uma poética de enfrentamento às estruturas coloniais, ressignificando a língua do colonizador a partir de elementos culturais e populares, de ressonâncias territoriais e de meios tocados pela luta decolonial, seja na periferia urbana da Amazônia paraense, ou nas tórridas paragens insulares caboverdianas. Conclui-se que a literatura engajada de Cabral e Menezes opera como práxis estética e política, promovendo a reterritorialização simbólica das identidades subalternizadas e o devir de uma poética diversa, afirmada na criação e reinvenção contínua da experiência histórica dos povos desterrados.</p>José Guilherme dos Santos FernandesSylvia Maria Trusen Rayane Tamborini Martins
Copyright (c) 2025 José Guilherme dos Santos Fernandes, Sylvia Maria Trusen , Rayane Tamborini Martins
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2025-10-272025-10-2781610.70446/ephemera.v8i16.8133AmazonAfricas
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8351
<p>This article investigates literary engagement, creolization, and self-movement in the poetics of Amílcar Cabral and Bruno de Menezes, whose trajectories are inscribed in the decolonization struggles in Cape Verde and Brazil. It begins with a comparative analysis, based on references related to the context of the study, to understand how the works of these authors express resistance to the cultural hegemony imposed by the coloniality of power. The methodology is grounded in a critical and interpretative reading of their literary productions, linked to the historical context in which colonized subjectivities were formed. It is observed that, despite being separated by distinct spatial and temporal contexts, both poets construct a poetics of confrontation with colonial structures, redefining the language of the colonizer by means of cultural and popular elements, territorial resonances, and environments touched by the decolonial struggle, whether in the urban periphery of the Amazon in Pará or in the torrid island landscapes of Cape Verde. It is concluded that Cabral and Menezes’ engaged literature operates as aesthetic and political praxis, promoting the symbolic reterritorialization of subalternized identities and the emergence of a diverse poetics, affirmed in the continuous creation and reinvention of the historical experience of exiled peoples.</p>José Guilherme dos Santos FernandesSylvia Maria Trusen Rayane Tamborini Martins
Copyright (c) 2025 José Guilherme dos Santos Fernandes, Sylvia Maria Trusen , Rayane Tamborini Martins
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2025-11-282025-11-2881610.70446/ephemera.v8i16.8351Escuta profunda
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8198
<p>A Escuta Profunda pode ser compreendida como um campo de encontros entre diferenças que, ao se entrelaçarem, constroem formas de relação baseadas na atenção, na sensibilidade e na escuta como práticas éticas. Essa abordagem convida à disponibilidade para ser transformado pelo espaço, pelo contexto - que é também cultura - e por toda a paisagem sensorial que atravessa o corpo. Nesse sentido, a escuta torna-se um gesto encarnado de reflexão sobre nossos modos de existência, abrindo caminhos para uma crítica ativa às formas hegemônicas de percepção, ancoradas na centralidade do olhar, nas certezas e na racionalidade cartesiana. Este artigo apresenta a Escuta Profunda em sua potê ncia como prática educativa para o corpo que dança, enquanto também articula conceitos e saberes afrodiaspóricos que nos ajudam a compreender a imaginação como uma força de transformação. Desenvolvida originalmente em seu conteúdo sensorial pela musicista Pauline Oliveros e posteriormente aprofundada e recriada para o corpo que dança nos processos da Anikaya Dance Theater, a Escuta Profunda se expande aqui como ferramenta de criação e resistê ncia, sustentando premissas para a interdependência e a escuta radical.</p>Luciane da Silva
Copyright (c) 2025 Luciane da Silva
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2025-08-222025-08-2281610.70446/ephemera.v8i16.8198Deep listening
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8314
<p>Deep Listening can be understood as a field of encounters between differences that build forms of relationship based on attention, sensitivity, and listening as ethical practices when intertwined. This approach invites openness to being transformed by space, by context — which is also culture — and by the entire sensory landscape that traverses the body. In this sense, listening becomes an embodied gesture of reflection on our modes of existence, opening paths for an active critique of hegemonic forms of perception, anchored in the centrality of the gaze, in certainties, and in Cartesian rationality. This article shows Deep Listening in its potential as an educational practice for the dancing body, while also articulating Afro-diasporic concepts and knowledge that help us understand imagination as a force for transformation. Originally developed in its sensory content by musician Pauline Oliveros and later deepened and recreated for the dancing body in the processes of Anikaya Dance Theater, Deep Listening expands here as a tool for creation and resistance, sustaining premises for interdependence and radical listening.</p>Luciane da Silva
Copyright (c) 2025 Luciane da Silva
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2025-11-132025-11-1381610.70446/ephemera.v8i16.8314Territorios de efusión
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8184
<p>Este texto se presenta como una memoria procesada corporalmente, sentida en la necesidad de favorecer la relación intercuerpxs históricamente racializados, emergiendo así una efusión de corporalidades multiversas, activamente enunciantes y creativo-expresivas que convoca el Festival de artes escénicas mapuche y afrodecendientes llamado “Kurüche” que lleva tres versiones en La Araucanía, sur de Chile, territorio ancestral mapuche convocando a la visibilización, multi expresión y reflexión en torno a la negritud, lo mapuche y lo Kurüche como existencia mapuche-afro que encuentra en esta instancia un lugar de manifestación; Constituyendo un espacio de efusión significativo y precedente en torno a estas corporalidades y sus potencialidades escénicas y políticas.</p>María Moreno Rayman
Copyright (c) 2025 María Moreno Rayman
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2025-08-142025-08-1481610.70446/ephemera.v8i16.8184Territories of effusion
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8367
<p>This text is shown as a bodily processed memory, felt in the need to promote the relationship between historically racialized bodies, thus giving rise to an effusion of multiverse, actively enunciative, and creatively expressive corporealities that convene the Mapuche and Afro-descendant performing arts festival called “Kurüche,” which has been held three times in La Araucanía, in southern Chile, which is the ancestral territory of the Mapuche people. This calls for visibility, multi-expression, and reflection on blackness, the Mapuche, and the Kurüche as a Mapuche-Afro existence that finds a place of manifestation in this instance, constituting a space of significant and precedent-setting effusion around these corporealities and their scenic and political potentialities.</p>María Moreno Rayman
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2025-12-052025-12-0581610.70446/ephemera.v8i16.8367Movimentos de Vênus
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8191
<p>Que ações e exercícios imaginativos são necessários para ampliar as possibilidades de vida e de negociação à medida que avançamos e projetamos o futuro? Como perpetuar histórias violentas e limitar futuros potenciais? Se já não basta expor o escândalo, pois uma série pode gerar um conjunto de descrições diferentes deste arquivo? É com estas perguntas em mente que pretendo criar uma obra que se pareça com um álbum de fotografia ou uma relíquia, um local capaz de armazenar e proteger itens valiosos e preciosos de valor imenso. Ao mesmo tempo que essas memórias armazenadas podem ser transformadas em vida e existência. Imagens de ensaios sobrepostas reconfiguradas pretendem ultrapassar as camadas de violação e revelam uma comunidade capaz de amar, de ser amada, de celebrar e de ser feliz.</p>Valdimere Pereira de Souza
Copyright (c) 2025 Valdimere Pereira de Souza
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2025-08-072025-08-0781610.70446/ephemera.v8i16.8191Movements of Venus
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8317
<p>What are the necessary actions and imaginative exercises to expand the possibilities of life and negotiation as we move forward and project the future? How can we perpetuate violent histories and limit potential futures? If exposing the scandal is not enough, how can a series generate a set of different descriptions of this archive? I intend to create, with these questions in mind, a work that resembles a photo album or a relic, a place capable of storing and protecting valuable and precious items of immense value. While these stored memories can be transformed into life and existence, reconfigured images of essays aim to transcend the layers of violation and reveal a community capable of loving, being loved, celebrating, and being happy.</p>Valdimere Pereira de Souza
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2025-11-152025-11-1581610.70446/ephemera.v8i16.8317Pés na ancestralidade, olhos no futuro
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8137
<p>Este artigo pretende relacionar a ideia do tempo espiralar, conforme estabelecido por Leda Maria Martins (2021), com a obra “Orgulho”, de Ibi Zoboi, publicada no Brasil em 2019. A obra literária é uma releitura de “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, e reconta a história a partir do ponto de vista de Zuri Benítez, uma jovem negra nova-iorquina de origem caribenha. Serão analisadas duas performances do livro, uma cerimônia da Santería e o funeral da personagem que atua como mentora da protagonista. O artigo examina também sua relação com o tempo linear e como essas duas ideias diferentes de tempo influenciam na trajetória de vida e nas escolhas de Zuri. A ideia de decolonialidade, baseada em Nelson Maldonado-Torres (2018), é brevemente discutida a partir da apresentação das performances trazidas no livro e pensa-se, ainda, na importância de se trazer esse tema em um livro voltado para o público adolescente. Por fim, conclui-se que os rituais, além de outras práticas culturais, mantêm a protagonista ligada à sua ancestralidade enquanto trabalha para se inserir no mundo capitalista.</p>Lígia Helena Souza
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2025-10-062025-10-0681610.70446/ephemera.v8i16.8137A Rua, a Festa e o Teatro
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8096
<p>Os números “A Missão” e “Manga Tem Caroço” foram criados em residências artísticas e apresentados no cortejo do bloco BerraVaca (2025). Vinculam-se ao projeto “Da cultura popular e da dramaturgia brasileira” (FAPESP 2023/14668-6) e integram a edição 2025 da pesquisa Teatro e Carnaval, do Grupo Pindorama. A investigação propõe o teatro de rua como prática coletiva e territorial, inspirado na metodologia do circuito junino de São Luís do Maranhão. O artigo articula o conceito de álacre, de Muniz Sodré (2002), e a perspectiva de cultura popular como <em>locus</em> político de criação, segundo Lélia Gonzalez (2024), para refletir sobre cenas autorais no interior paulista. A pesquisa conflui para a criação do conceito Teatro de Quermesse.</p> <p><br style="font-weight: 400;"><br style="font-weight: 400;"></p>Gracia Navarro
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2025-10-302025-10-3081610.70446/ephemera.v8i16.8096A infância ou a busca da atuação solar no teatro
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/7923
<p>Guy Freixe - ator, diretor, pesquisador e professor de teatro - compartilha suas ideias sobre o teatro, com base em sua experiência como estudante na École Jacques Lecoq e como ator no Théâtre du Soleil. A entrevista explora as abordagens de Jacques Copeau, Jacques Lecoq, Philippe Gaulier e Ariane Mnouchkine, destacando a importância do corpo, do movimento e da improvisação em suas concepções da atuação. Freixe ressalta que Lecoq, influenciado pelas intuições de Copeau, favorece uma memória arcaica do corpo, conectada ao mundo exterior, em vez de uma exploração subjetiva do inconsciente do ator. Essa memória do corpo está intimamente ligada à infância, ao mimetismo instintivo da criança que absorve e reverbera seu ambiente. Na esteira dessas reflexões, a noção de Mnouchkine de “entrar na infância” e a ideia de uma infância transgressora na abordagem de Gaulier ao <em>clown</em> também são evocadas. Freixe nos leva a concluir que o apelo à infância entre os artistas e educadores mencionados está de alguma forma relacionado à busca de um jogo atoral ligado a elementos lúdicos, à leveza e a um estilo solar de atuação no teatro.</p>Rodrigo ScalariGuy Freixe
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2025-10-092025-10-0981610.70446/ephemera.v8i16.7923Childhood or the Pursuit of Solar Acting in Theatre
https://periodicos.ufop.br/ephemera/article/view/8301
<p>Guy Freixe—actor, director, theatre researcher, and educator—shares his thoughts on theatre, drawing on his experience as a student at the École Jacques Lecoq and as an actor with the Théâtre du Soleil. The interview explores the approaches of Jacques Copeau, Jacques Lecoq, Philippe Gaulier, and Ariane Mnouchkine, highlighting the importance of the body, movement, and improvisation in their conception of acting. Freixe points out that Lecoq, influenced by the intuitions of Copeau, favours an archaic “memory of the body,” connected to the outside world rather than to a subjective exploration of the actor’s unconscious. This bodily memory is closely linked to childhood, to the instinctive mimicry of the child absorbing and reflecting their environment. In the wake of these reflections, Mnouchkine’s notion of “entering childhood” and the idea of a transgressive childhood in Gaulier’s clown’s craft are also discussed. Freixe leads us to conclude that the appeal to childhood among these artists and educators is, in some way, tied to a search for a playful, light-spirited mode of acting—one that aspires to a radiant, sun-infused theatre.</p>Rodrigo ScalariGuy Guy
Copyright (c) 2025 Rodrigo Scalari, Guy Freixe
https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0
2025-11-072025-11-0781610.70446/ephemera.v8i16.8301