https://periodicos.ufop.br/raf/issue/feedArtefilosofia2026-08-28T10:26:40-03:00Imaculada Kangussuartefilosofia.defil@ufop.edu.brOpen Journal Systems<p style="text-align: justify;">ISSN: 2526-7892.<br>O Periódico publica artigos na área de Estética e Filosofia da Arte. Os trabalhos deverão ser inéditos (salvo o caso de traduções). No caso de traduções, o texto deve estar acompanhado do original e, caso o texto traduzido não esteja em domínio público, é necessária uma autorização do autor/da autora (caso este/esta seja detentor dos direitos da obra traduzida) ou da detentora/do detentor dos direitos autorais desta pessoa (membro de família, editora, outra instituição, etc.), ou ainda de uma licença <em>creative commons</em>. O mesmo se aplica à transcrição de entrevistas.<br>Publicação do Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFIL) do Instituto de Filosofia Artes e Cultura (IFAC) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).<br>Periodicidade: Publicação contínua [<em>rolling pass]</em>.</p> <p style="text-align: justify;">Qualis A3 (quadriênio 2017-2020).</p>https://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8716Apresentação2026-08-28T10:26:40-03:00Imaculada Kangussukangussu@ufop.edu.br2026-08-12T13:30:25-03:00Copyright (c) 2026 Imaculada Kangussuhttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8728Presente dos antigos2026-08-28T10:26:39-03:00Edgar Kanaykõ Xakriabákangussu@ufop.edu.br2026-08-27T13:07:41-03:00Copyright (c) 2026 Edgar Kanaykõ Xakriabáhttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8500Entrevista com Lúcia Hussak van Velthem2026-08-28T10:26:40-03:00Carla Damiãocmdw16@gmail.com<p>Nesta entrevista, a antropóloga Lúcia Hussak van Velthem discute sua trajetória e as complexas artes e cosmologias indígenas, focando especialmente nos povos Wayana e Aparai. Ela propõe o conceito de "estética do viver<strong>"</strong>, em que a beleza de um objeto é intrínseca à sua funcionalidade e eficácia prática, desafiando a visão ocidental de arte puramente contemplativa. Os artefatos são descritos como "quase-corpos" com capacidades agentivas; para o uso seguro no cotidiano, esses objetos apresentam corpos fragmentados — como o <em>tipiti</em> serpentiforme — para que sua agência seja controlada pelos humanos. Velthem detalha o sistema <strong>"</strong>mito-gráfico<strong>"</strong>, onde o repertório visual originado da pele da cobra-grande <em>Tulupele</em> captura potências ancestrais por meio de um "minimalismo figurativo", identificando seres através de traços essenciais e definidores. O conhecimento técnico, chamado <em>tuwaré</em>, fundamenta-se na visão e na proteção dos <em>wayanaman</em>, entidades que habitam as pupilas e guiam a manufatura dos artesãos. Na prática museológica, a pesquisadora defende uma curadoria colaborativa que respeite o protagonismo das populações tradicionais e a pluralidade dos patrimônios. Ela enfatiza a luta diária contra o esquecimento e a necessidade de observar sensibilidades cosmológicas, como o entendimento de que objetos em reservas técnicas estão "dormindo" e requerem cuidados específicos, incluindo o ocultamento de itens sensíveis ou a disposição física correta conforme normas rituais. Por fim, discute a ascensão de artistas indígenas em centros urbanos como uma forma de ativismo político e crítica cultural, buscando reconhecimento além do rótulo de "artesanato".</p>2026-08-12T13:11:51-03:00Copyright (c) 2026 Carla Damiãohttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8389Diálogo com André Prous sobre sua trajetória no estudo da arte rupestre2026-08-28T10:26:39-03:00Rogério Tobias Juniorrogeriotobiasjunior@gmail.comLilian Panachuk de Sálipanachuk@gmail.com<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Este texto traz um diálogo com André Prous, professor titular aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais, membro da Missão Francesa e da Missão Franco-Brasileira, fundador do Setor de Arqueologia do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. O diálogo teve como objetivo tratar da sua trajetória nas pesquisas de Arte Rupestre no Brasil, das quais é profundo conhecedor, de forma a evidenciar as formas pelas quais construiu sua abordagem e que foi influenciado pelo próprio acervo de pinturas e gravuras existentes em território nacional e a construção de sua percepção das estéticas indígenas pré-coloniais. O texto trata de temas como os interesses de Prous sobre a arqueologia brasileira, as razões pelas quais iniciou os estudos de arte rupestre e os percursos que experimentou desde sua juventude até a maturidade para consolidar métodos e técnicas justas ao contexto rupestre encontrado no Brasil.</span></span></p>2026-08-23T18:34:40-03:00Copyright (c) 2026 Rogério Tobias Juniorhttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8383Paisagens narradas2026-08-28T10:26:39-03:00Gabriel Lemes de Souzaglemesdesouza@yahoo.com.br<p class="Corpo1"><span lang="PT">Este artigo propõe uma an</span>á<span lang="PT">lise da paisagem mineira como um arquivo vivo e din</span>â<span lang="PT">mico, investigando como a arte rupestre atua como dispositivo de mem</span><span lang="ES-TRAD">ó</span><span lang="IT">ria e constru</span><span lang="PT">ção de narrativas em tr</span>ê<span lang="PT">s contextos distintos. Inicialmente, aborda-se o caso de Sã</span>o Thom<span lang="FR">é </span><span lang="PT">das Letras, onde a apropriação colonial e religiosa ressignificou grafismos ind</span>í<span lang="PT">genas, transformando-os em rel</span>í<span lang="PT">quias sagradas cristãs para legitimar a posse do territ</span><span lang="ES-TRAD">ó</span><span lang="PT">rio. Em seguida, examina-se a perspectiva do povo Krenak no Vale do Rio Doce, demonstrando como os s</span>í<span lang="PT">tios arqueol</span><span lang="ES-TRAD">ó</span><span lang="PT">gicos são reatualizados não como ru</span>í<span lang="PT">nas, mas como moradas de </span><span dir="RTL" lang="AR-SA">“</span><span lang="ES-TRAD">encantados</span>” <span lang="PT">e ferramentas de resist</span>ê<span lang="PT">ncia pol</span>í<span lang="PT">tica e identidade </span><span lang="FR">é</span><span lang="PT">tnica. Por fim, o estudo recua </span>à <span lang="PT">antiguidade da Tradição Planalto na região de Diamantina, com foco na Lapa das Piabas. Atrav</span><span lang="FR">é</span><span lang="PT">s da relação entre os grafismos e o meio ambiente (o Rio Preto), investiga-se a </span><span dir="RTL" lang="AR-SA">“</span><span lang="PT">escrita original</span>” <span lang="FR">de ca</span>ç<span lang="PT">adores-coletores-pescadores como uma cr</span>ô<span lang="PT">nica da intimidade com os ciclos da natureza. Conclui-se que tais narrativas – a m</span>í<span lang="PT">tica, a pol</span>í<span lang="PT">tica e a ecol</span><span lang="ES-TRAD">ó</span><span lang="PT">gica – sobrepõem-se, conferindo </span>à geografia fí<span lang="PT">sica a espessura simb</span><span lang="ES-TRAD">ó</span><span lang="PT">lica da paisagem.</span></p>2026-08-27T13:27:26-03:00Copyright (c) 2026 Gabriel Lemes de Souzahttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8205O visível e o invisível2026-08-28T10:26:40-03:00Luana Goularts.luanagoulart@gmail.com<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;">Este esforço pretende oferecer uma análise crítica de aspectos filosóficos e metodológicos relevantes para práticas antropológicas segundo propostas de Philippe Descola (2016a) e (2016b). Será estudada aqui a forma como o antropólogo emprega nesses textos algumas noções-chave, como as de arte, antropologia e ontologia, identificando e destacando pressupostos relevantes para a abordagem de questões filosóficas da estética e da filosofia da arte envolvidos em sua proposta de uma “antropologia da figuração” de forma mais ou menos explícita. Em seguida, sugestões acerca de possibilidades de diálogo interdisciplinar frutífero entre estética e filosofia da arte e trabalhos de cunho antropológico serão apresentadas com base no pensamento de Silvia Rivera Cusicanqui.</span></p>2026-07-31T15:30:45-03:00Copyright (c) 2026 Luana Goularthttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8498Um veado apenas2026-08-28T10:26:39-03:00Rogério Tobias Juniorrogeriotobiasjunior@gmail.com<p>Proponho uma antigenealogia da arte rupestre, deslocando o foco das classificações taxonômicas hierárquicas e formalistas (modelo arborescente), predominantes na arqueologia brasileira, para uma análise baseada nos conceitos de rizoma e duração de Deleuze, Guattari e Bergson. Abordagens tradicionais buscam generalizações, recorrências formais e identidades culturais. Em contraste, a antigenealogia busca a singularidade do fazer, as linhas de fuga e a diferença, tratando a figura como um mapa, aberto.<br>O método é aplicado à análise do grafismo de um veado ("o galheiro") na Lapa do Boi de Diamantina/MG). Ignoro a forma final, concentrando-me no mapeamento do movimento de aplicação da tinta (efluência, confluência e curso). Para isso busco gerar mapas a partir de propriedades específicas descritas in situ. A análise revela que a "fluidez" do fazer é dotada de um ritmo de intensidade pulsátil, considerando a duração de seu fazer. O mapeamento realizado demonstra o potencial em tratar as durações como movimento e o espaço como expressão de processos de diferenciação.</p>2026-08-27T12:26:17-03:00Copyright (c) 2026 Rogério Tobias Juniorhttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8379Pintura rupestre geométrica2026-08-28T10:26:39-03:00Carla Beatriz Franco Ruschmanncarlaruschmann@ufpr.br<p>Este artigo está dividido em duas partes, a primeira traz conceitos sobre a obra geométrica realizada na pré-história e sobre sua trajetória no transcurso da história da arte. Num segundo momento é proposto um modelo de análise formal, baseado nos fundamentos da linguagem visual, e aplicado anteriormente na análise de obras geométricas contemporâneas. A partir deste modelo, e dando aberturas para outras escutas, a autora analisa uma série de pinturas rupestres geométricas da Serra da Capivara com uma certa semelhança entre elas: a representação de grupos humanos. O estudo objetiva trazer aproximações entre campos de conhecimentos, assim como, fornecer elementos para uma maior compreensão sobre as formas realizadas nesse período, auxiliando nas suas leituras e possíveis interpretações.</p>2026-08-27T13:12:49-03:00Copyright (c) 2026 Carla Beatriz Franco Ruschmannhttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8387Objeto-lugar, corpo e memória: 2026-08-28T10:26:40-03:00Sibeli Aparecida Vianasibeliaparecidaviana@gmail.comMarcos Paulo de Melo Ramosramos@pucgoias.edu.brMarlene Castro Ossami de Moura m.ossami30@gmail.comCristiane Loriza Dantas crisloriza@pucgoias.edu.br<p>Resumo: Este artigo analisa um tembetá (adorno labial) raro, recuperado no sítio arqueológico “Pedra da Pintura” (GO-CP-16), na bacia do Córrego do Ouro, Palestina de Goiás, sudoeste goiano. O exemplar foi exumado na 22ª decapagem do corte 4 e associado à datação de 1.680 ± 30 AP (cal. 1608–1425, Beta 434620). A ocorrência de tembetás no Brasil Central é atípica, conferindo singularidade ao artefato; sua raridade é atribuída à manufatura em materiais perecíveis, ao estatuto de objeto pessoal com baixo descarte e à portabilidade que favorece reutilização ou deposição em contextos não preservados. A análise do artefato permite abordar dimensões socioculturais, tecnológicas, simbólicas e relacionais. Inserido no Complexo Arqueológico de Palestina de Goiás, composto por dezenas de sítios interconectados de tipologias e temporalidades distintas, e situado em áreas que, segundo dados etno-históricos, foram habitadas por diferentes etnias indígenas, o estudo enquadra o tembetá num panorama regional marcado por recorrência ocupacional, mobilidade, intercâmbio e dinâmicas territoriais no Cerrado. Assim, a investigação transcende a descrição objetual, servindo como eixo para interpretar processos culturais dinâmicos, negociações e ressignificações de saberes que moldaram paisagens culturais ao longo do tempo, oferecendo uma janela interpretativa relevante para o estudo de objetos simbólicos.Parte superior do formulário</p>2026-08-12T13:16:07-03:00Copyright (c) 2026 Marcos Paulo de Melo Ramos, Marlene Castro Ossami de Moura , Cristiane Loriza Dantas https://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8508Pinturas agentes:2026-08-28T10:26:40-03:00Andrei Isnardis Hortaisnardis.andrei@gmail.com<p>O objetivo deste texto é compartilhar nossa tentativa de construir um entendimento (e alguns de seus efeitos) sobre um dos mais vigorosos aspectos das pinturas rupestres indígenas que vem se tornando evidente para nós: a intensa relacionalidade na composição de painéis e figuras. Nas regiões de Diamantina (Serra do Espinhaço) e do Vale Peruaçu (Norte de Minas), em que nossa equipe, vinculada ao Setor de Arqueologia do MHNJB da UFMG, vem desenvolvendo pesquisas continuadas, temos percebido que, quando se compuseram pinturas sobre paredes rochosas que já estavam pintadas (o que é muito recorrente nessas regiões), as pessoas autoras de novas figuras interagiram fortemente com as pinturas já presentes. Essa interação se fez de formas diversas, por meio de sobreposições, repinturas, encaixes, evitamentos, incorporação de elementos. Essas práticas colocam sérios desafios para as abordagens usuais da arqueologia de grafismos rupestres e estamos no movimento de atender a esses desafios. Buscando repertório junto a princípios das filosofias ameríndias, proponho que as pinturas já presentes nas paredes agiram sobre as pessoas que diante delas chegaram, dispostas a compor novos grafismos. Os elementos que temos reunido expressam o vigor da experiência perceptiva do que está na parede e a potência dessas formas e cores em promover condutas, demandar engajamento a quem as percebe. Temos aí relações nas quais tanto pessoas pintoras, quanto pinturas são sujeitos. A experiência estética de apreciação das pinturas seria, entre as pessoas indígenas antigas suas autoras, uma experiência ativa, com engajamento corporal, material, interventivo.</p>2026-08-12T13:08:09-03:00Copyright (c) 2026 Andrei Isnardis Hortahttps://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8386How Ancient is Art? / Quão antiga é a arte? 2026-08-28T10:26:40-03:00Stephen Daviessj.davies@auckland.ac.nzCharliston Pablo do Nascimentocpnascimento@uefs.br<p>Neste artigo, sugiro que a música e a dança, em sentido propriamente artístico, podem anteceder o surgimento de nossa espécie em várias centenas de milhares de anos. Nossa progenitora, <em>H. heidelbergensis</em>, possuía os recursos fisiológicos e as capacidades sociais necessárias. E herdou modos mais antigos de movimento e vocalização que poderiam ter lançado as bases para a dança e a música. É verdade que essas atividades artísticas, para ela, teriam sido mais sobre compartilhar e expressar emoções do que sobre simbolizar ideias abstratas ou transmitir pensamentos complexos. Mas o canto e a dança são especialmente aptos à partilha e à expressão de emoções. Consequentemente, a suposição comum feita por muitos paleoarqueólogos em discussões sobre as origens da arte e da modernidade psicológica – segundo a qual a arte seria um atributo distintivamente <em>sapiens</em>, pressupondo um tipo de mentalidade complexa que talvez seja exclusivo de nossa espécie – é equivocada. Além disso, há também algumas lições filosóficas relativas à natureza da arte que podem ser extraídas dos fatos de sua antiga origem.</p> <p><strong>Palavras-chave: </strong>Evolução; <em>Homo heidelbergensis</em>; Beleza; Música; Dança.</p>2026-07-31T15:26:47-03:00Copyright (c) 2026 Charliston Pablo do Nascimento