Inteligência Artificial Generativa e o mundo da arte: novos modos de presença ou meros sistemas algorítmicos?
DOI:
https://doi.org/10.69640/raf.v19i38.7849Palavras-chave:
Inteligência Artificial Generativa; Modos de Presença; Agência Algorítmica Mediação Estética; Criação ArtísticaResumo
O uso da inteligência artificial generativa (IA) na criação de objetos estéticos não apenas altera, mas transforma radicalmente os fundamentos do processo criativo, desafiando concepções consolidadas sobre arte e autoria. A emergência dessa tecnologia levanta uma série de questões cruciais que atravessam o campo da estética e da filosofia da arte: os produtos gerados por IA podem ser reconhecidos como obras de arte em sentido pleno, ou seriam meras simulações algorítmicas da criatividade humana? Em que medida a agência humana ainda desempenha um papel essencial na definição do estatuto artístico desses objetos, e qual a extensão da autonomia da máquina nesse processo? Essas interrogações tensionam a relação entre autoria e criatividade, reconfigurando os conceitos de originalidade e intencionalidade artística e nos obrigando a reconsiderar os limites entre produção estética e programação computacional. Para abordar essa complexidade, recorremos à análise dos modos de presença, propostos por Rodrigo Duarte, com ênfase nos modos de apresentação e representação, bem como na transição entre eles. A partir dessa estrutura teórica, investigamos como os produtos da IA transitam entre diferentes formas de mediação e imediaticidade na experiência estética, evidenciando a interação entre agência humana e agência algorítmica no processo de criação artística. Dessa forma, a inteligência artificial generativa desafia paradigmas históricos e nos impele a revisar criticamente as noções tradicionais que sustentam o entendimento do que é arte, exigindo uma nova abordagem que contemple as dinâmicas de mediação estética contemporâneas.
Downloads
Referências
BBC Science Focus Magazine. How Can Algorithms Know Us, When We Hardly Know Ourselves? 10 de Abril de 2018. Disponível em: https://www.sciencefocus.com/the-human-body/how-can-algorithms-know-us-when-we-hardly-know-ourselves. Acesso em 10 de janeiro de 2025, 2018. Beresford, Bryony, Tricia Sloper. Understanding the Dynamics of Decision-Making and Choice: A Scoping Study of Key Psychological Theories to Inform the Design and Analysis of the Panel Study. Nova Iorque: SPRU, 2008. Benjamin, Walter. Pequena história da fotografia. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1994, p. 91-107. Curran, Dylan. Are You Ready? This Is All the Data Facebook and Google Have on You. The Guardian. 19 de Dezembro de 2018. Disponível em: https://www.theguardian.com/commentisfree/2018/mar/28/all-the-data-facebook-google-has-on-you-privacy. Acesso em 26 de dezembro de 2024, 2018. Duarte, Rodrigo. Modos de presença nos fenômenos estéticos contemporâneos. In: HERMANN, N.; RAJOBAC, R. (Org.). A questão do estético: ensaios. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2019. Duarte, Rodrigo; Rocha, Rizzia. (Org.). Modos de presença nos fenômenos estéticos contemporâneos. Belo Horizonte: Relicário, 2023a. Duarte, Rodrigo. Do irrepresentável à perpresentação: revisitando os modos de presença nos fenômenos estéticos. In: Duarte, Rodrigo; Rocha, Rizzia. Modos de presença nos fenômenos estéticos. Belo Horizonte: Relicário, 2023b. CHATGPT. Disponível em: <https://chat.openai.com>. Acesso em: 19 dez. 2024. Estadão Conteúdo / GZH. O IA Está Aí E Veio Para Ficar’, Diz Ilustrador Indicado Ao Jabuti Por Desenho Artificial | GZH. 10 de Novembro de 2023. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2023/11/o-ia-esta-ai-e-veio-para-ficar-diz-ilustrador-indicado-ao-jabuti-por-desenho-artificial-clorr15qs00ax012xybz0rozo.html. Acesso em 11 de dezembro de 2024, 2023. Ezhilmurugan., P., and Yashavini E. Exploring The Impact Of Artificial Intelligence In The Visual Arts: A Comprehensive Study. ShodhKosh: Journal of Visual and Performing Arts 5 (ICITAICT). 2024. https://doi.org/10.29121/shodhkosh.v5.iicitaict.2024.1331. Flusser, Vilém. Filosofia da Caixa Preta. São Paulo: Hucitec, 1985. Foucault, Michel. A Arqueologia do Saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009. Foucault, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola, 2012. Klingemann, Mario. “MARIO KLINGEMANN, exploring the frontiers of AI, data poisoning, ethical challenges & art”. Disponível em:MARIO KLINGEMANN, art, data poisoning & ethical challenges. Acesso em 19 de fevereiro de 2025, 2024. Lopes, André. “Depois de ser indicada ao Prêmio Jabuti, Arte Feita Por Inteligência Artificial é Desclassificada.” Exame.com. 10 de Novembro de 2023. Disponível em: https://exame.com/inteligencia-artificial/depois-de-ser-indicada-ao-premio-jabuti-arte-feita-por-inteligencia-artificial-e-desclassificada/. Acesso em 12 de dezembro de 2024, 2023. Pasquinelli, Matteo. Machines that Morph Logic: Neural Networks and the Distorted Automation of Intelligence as Statistical Inference. Journal > Site 1: Logic Gate, The Politics of the Artifactual Mind. Recuperado em 19 de fevereiro de 2025, de https://www.glass-bead.org/article/machines-that-morph-logic/?lang=enview, 2017. Vallance, Chris. ‘Arte Está Morta’: O Polêmico Boom de Imagens Geradas Por Inteligência Artificial.” BBC News Brasil, 10 de setembro de 2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62949698. Acesso em 12 de janeiro de 2025, 2022.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores/as mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ que permite o compartilhamento do trabalho, com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores/as têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.