https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/issue/feedVirtualia Journal2026-04-08T19:59:29-03:00Rodrigo Reis Lastra Cidrodrigo.cid@ufop.edu.brOpen Journal Systems<p style="text-align: justify;">ISSN: 3086-3899<br>Periódico de pesquisa em filosofia de fluxo contínuo, de volumes anuais, criada por alunos e professores do Departamento de Filosofia cujo objetivo é a publicação de artigos originais em Filosofia. Publicação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Instituto de Filosofia Artes e Cultura (IFAC), Departamento de Filosofia (DEFIL), Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFIL).<br><br></p>https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8212Sócrates Viajante2026-04-08T19:59:29-03:00Gilberto de Melo Caldatgilbertomcaldat@gmail.com<p>Este artigo pretende apresentar o personagem do Sócrates platônico da <em>República</em> como uma espécie de viajante, utilizando-se para isso de algumas imagens de viagem que Platão lança mão logo no início de seu diálogo: a catábase, a <em>theōriā</em>, as viagens náuticas, as jornadas de longa distância. Pretende-se com isso demonstrar que mesmo o sedentaríssimo Sócrates que, segundo Diógenes Laércio, não viajou senão em ocasiões de guerra, ou ainda, o Sócrates, o mais enraizadamente ateniense dos filósofos, pode ser visto também sob o prisma de um certo nomadismo.</p>2026-02-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Gilberto de Melo Caldathttps://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8262O Campo de Batalha Simbólico do Woke2026-04-08T19:59:07-03:00Vitor Emanuel Grippvitorxpto@gmail.com<p><span style="font-weight: 400;">O artigo analisa a circulação contemporânea do termo “woke” e sua metamorfose de gesto de despertar antirracista em repertório mercadológico. A partir de uma genealogia conceitual e de três estudos de caso (Bud Light, Jaguar e American Eagle), investiga como campanhas publicitárias reconfiguram identidades, transformando diferenças em valor simbólico e simulacro. Articula-se Foucault, Deleuze, Han e Baudrillard para mostrar como a diferença pode tanto abrir linhas de fuga quanto ser reabsorvida pela lógica do capital, operando como dispositivo de poder que modula subjetividades pela positividade e visibilidade. O ensaio conclui que a política da identidade, ao entrar no mercado, corre o risco de se tornar superfície de consumo, esvaziando seu potencial emancipatório.</span></p>2026-02-01T00:00:00-03:00Copyright (c) https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8253Habermas e o Contexto Brasileiro2026-04-08T19:57:14-03:00Marco Bettinemarcobettine@usp.br<p>O artigo “Habermas e o Contexto Brasileiro: Tradução Teórica e Desafio Prático” propõe uma leitura situada da teoria habermasiana, reinterpretando a racionalidade comunicativa a partir das condições históricas, sociais e políticas do Brasil. A partir da ideia de que “pensar Habermas desde o Sul” implica uma travessia epistemológica e não apenas terminológica, o texto examina as tensões entre o universalismo da teoria e a contingência periférica das sociedades latino-americanas. Sustenta-se que, no Brasil, a linguagem é simultaneamente meio de entendimento e arena de disputa simbólica, em que o reconhecimento se converte em luta cotidiana contra desigualdades estruturais. A teoria do agir comunicativo, ao ser relida desde o Sul, adquire densidade ética e política: torna-se um projeto de razão insurgente, que transforma a escuta em ato de emancipação e a linguagem em instrumento de reconstrução democrática.</p>2026-02-04T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Marco Bettinehttps://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8433Panorama sobre o conceito de encarnação. Do século IV d.C ao XVIII2026-04-08T19:57:45-03:00Fabiano Veliqveliqs@gmail.com<p align="justify">O presente artigo tem como objetivo traçar um panorama sobre o conceito de encarnação a partir do século IV d.C até o século XVIII. Tal recorte se justifica na medida em que o século IV marca um divisor de águas na história da igreja cristã e suas decisões, principalmente a partir do concílio de Niceia darão o tom do debate em torno do conceito de encarnação nos séculos posteriores até depois da reforma protestante do século XVI. Para traçar tal panorama nosso texto se inicia com o debate cristológico do século IV que culmina na formulação do credo niceno-constantinopolitano em 381 d.C, em seguida analisamos como que o conceito de encarnação é tratado por três autores da escolástica, a saber, Alexandre de Hales, São Boaventura e São Tomás de Aquino, e na sequência ressaltamos o tom do debate na modernidade até o século XVIII.</p>2026-02-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Fabiano Veliqhttps://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8328Câmeras e corpos2026-04-08T19:58:06-03:00Igor Nascimentoprof.igornascim@gmail.com<p>Seguindo os passos de Heidegger e Cavell, o texto pretende explorar como os avanços tecnológicos desenvolveram novas relações dos sujeitos com as imagens. Em particular, será argumentado que temos um anseio por ver – tomamos a visão como o sentido primordial, de modo a deixar de lado outras formas de nos relacionarmos com o mundo senão através do contato visual enquanto uma forma de consumo. Para elaborar essa perspectiva, serão analisadas partes do filme Homens, mulheres e filhos e como dos personagens centrais tem seu desenvolvimento afetado pelo consumo de imagens.</p>2026-02-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Igor Nascimentohttps://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8309A reversão do momento protético2026-04-08T19:58:35-03:00Rodrigo Mickusrodrigo.mickus@gmail.com<p>Neste trabalho examinamos a dupla função da tecnologia, a saber, a ampliação dos sentidos humanos, o momento protético da tecnologia, e a reversão dessa ampliação dos sentidos humanos sobre o frágil e minúsculo corpo humano, pelo qual tanto a máquina se torna armadura quanto se torna um gerador de excesso de estímulos inundando o corpo humano. Mapeamos essa diferença a partir dos diferentes modos técnicos da produção capitalista, da manufatura à maquinaria e inscrevemos a dupla função da tecnologia nas condições de transformação do aparelho psicossensorial humano, acarretada pelo processo de modernização industrial. É a partir da modernização industrial que a reversão do momento protético ocorre: da técnica como apêndice instrumental do homem, ao homem como órgão apêndice da maquinaria técnica submetida ao processo de valorização do valor capitalista.</p>2026-02-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Rodrigo Mickushttps://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8348Design, contraconduta e algoritmos2026-04-08T19:56:48-03:00Leonardo Marques Kusslerleonardo.kussler@gmail.comMarcos Beccaricontato@marcosbeccari.com<p>Neste estudo, propomos pensar o design como capacidade de conceber modos de vida críticos e desobedientes. Para tanto, na primeira seção, delineamos como parte do design utilitário é concebido a partir do conceito de obediência, moldando comportamentos e modos de ser. Com base em uma visão histórica da filosofia do design e em exemplos do que consideramos práticas de artistas e designers desobedientes, abordamos tanto o conceito de desobediência quanto os modos de contraconduta como formas de escapar do controle sutil dos algoritmos. Por fim, refletimos sobre as possibilidades de projetar modos de vida desobedientes a partir de formas de estar-no-mundo mais próximas da arte e de performances presenciais que focam na corporalidade, o que nos permite perceber que o modo de vida mais desobediente envolve uma vida mais crítica que compreende o valor do estar-com outros seres de uma maneira mais situada.</p>2026-03-06T10:39:04-03:00Copyright (c) https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8326 A Crítica de Schlick ao conhecimento sintético a priori de Kant2026-04-08T19:56:16-03:00LUCAS MURATAlucas.murata@hotmail.com<p>O artigo analisa a concepção kantiana de juízos sintéticos <em>a priori</em> e as críticas de Moritz Schlick, da perspectiva do positivismo lógico. Para Kant, tais juízos ampliam o conhecimento de modo necessário e universal, fundamentando matemática, geometria, física e a própria possibilidade da metafísica como ciência. Eles decorrem de formas puras da sensibilidade (espaço e tempo) e de categorias do entendimento, como causalidade. Schlick rejeita essa posição ao mostrar que: (i) a geometria depende de axiomas e convenções e é reconfigurada por geometrias não euclidianas e pela relatividade; (ii) a aritmética é analítica, baseada em definições e regras, não em intuições temporais; (iii) a causalidade é hipótese empírica, não categoria a priori. Conclui-se que, para Schlick, não existem juízos sintéticos <em>a priori</em>, de modo que a metafísica não pode reivindicar estatuto científico.</p>2026-03-06T17:34:54-03:00Copyright (c) https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/7392Reflexões antropológicas maquiavelianas2026-04-08T19:55:51-03:00Railson da Silva Barbozarailson_barboza@yahoo.it<p>Este trabalho tem por objetivo analisar o pensamento desenvolvido por Maquiavel, contidos em seus escritos, reflexões e conceitos sobre o agir virtuoso de um governante, à luz de comentadores que debatem sobre o autor e sua filosofia. Buscando ser fiel ao pensamento maquiaveliano, procura-se identificar os pilares da sua teoria moral e política, levando consideração suas referências históricas, conceitos e análises. Ao contemplar a filosofia contida nos escritos de Maquiavel, não podemos deixar de lado seus conceitos trabalhados e o contexto histórico pelo qual ele está inserido e fala. O rompimento com o conceito medieval de ética, vinculado aos dogmas da fé cristã, é superado por outro modelo na teoria de Maquiavel, alterando significativamente o conceito de agir moral. O novo modelo de virtude, denominado <em>virtù</em>, pari passo a <em>fortuna</em>, são os instrumentos desenvolvidos pelo autor capazes de transformar a realidade mediante a ação política efetiva. Assim, pretende-se realizar uma leitura crítica dos fatos e das consequências trazidas pelo pensamento do autor, bem como a originalidade desta para explicar o cenário de conflitos políticos. Para isso, as leituras do autor florentino na língua original, italiano, bem como de comentadores como Fábio Frosini, serão decisivas para desenvolvermos os temas propostos.</p>2026-03-09T22:04:24-03:00Copyright (c) 2026 Railson da Silva Barbozahttps://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8483Da Grécia Antiga ao Novo Mundo2026-04-08T19:55:32-03:00Marcelo Duartembduarte@id.uff.br<p>O presente artigo investiga o papel do ceticismo filosófico na formação da modernidade europeia, articulando suas raízes na Grécia Antiga com os processos históricos que marcaram a Europa entre os séculos XI a XVII. A partir da análise das crises estruturais medievais — guerras, pestes, fome, declínio feudal, reformas religiosas e instabilidade política — demonstra‑se como a dúvida reaparece como atitude filosófica e como resposta às tensões sociais, culturais e epistêmicas do período. Em seguida, examina‑se a relação entre o ceticismo e as grandes navegações, destacando como a metáfora do “ovo de Colombo” sintetiza tanto a ruptura com paradigmas medievais quanto a lógica de apropriação que caracterizou a expansão europeia. O encontro com os povos indígenas das Américas produziu uma crise epistemológica que abalou o imaginário europeu e contribuiu para a reconfiguração do ceticismo moderno. Nesse contexto, a obra de Montaigne (2018) e do prof. Danilo Marcondes (2019) e Popkin (2000) são nosso ponto de partida e também analisadas como expressão privilegiada dessa crítica, evidenciando a relatividade dos costumes e a violência das narrativas coloniais. Conclui‑se que o ceticismo, longe de ser apenas uma corrente filosófica abstrata, constitui elemento fundamental para compreender as tensões entre modernidade, colonialidade e invenção das Américas.</p>2026-04-07T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Marcelo Duartehttps://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8346AKIRA: Hibridismo do Humano e o Retorno do Ciborgue2026-04-08T19:55:10-03:00Luan Henrique Macielhenrique.luan0206@gmail.com<p><span style="font-weight: 400;">Este presente artigo discute a obra japonesa </span><em><span style="font-weight: 400;">Akira</span></em><span style="font-weight: 400;"> (1988) como expressão simbólica do hibridismo humano-máquina e da crise do humanismo moderno. A partir do devir-ciborgue de Tetsuo Shima, investiga-se a dissolução das fronteiras entre o orgânico e o tecnológico, articulando conceitos de Donna Haraway, Bruno Latour, Deleuze e Guattari, Althusser, Nick Land e Mark Fisher. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem teórico-conceitual e analítica, examinando o filme como dispositivo crítico das transformações ontológicas e políticas do sujeito na modernidade. O estudo evidencia como a figura do ciborgue desestabiliza dicotomias centrais — humano/não-humano, natureza/cultura, técnica/corpo — e opera como metáfora da aceleração capitalista e da desterritorialização pós-humana. Conclui-se que Akira propõe uma reconfiguração do humano através da falência do projeto moderno e da emergência de novas sensibilidades coletivas e híbridas.</span></p>2026-04-07T20:20:32-03:00Copyright (c) 2026 Luan Henrique Maciel