Virtualia Journal
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<p style="text-align: justify;">ISSN: 3086-3899<br>Periódico de pesquisa em filosofia de fluxo contínuo, de volumes anuais, criada por alunos e professores do Departamento de Filosofia cujo objetivo é a publicação de artigos originais em Filosofia. Publicação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Instituto de Filosofia Artes e Cultura (IFAC), Departamento de Filosofia (DEFIL), Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFIL).<br><br></p>Universidade Federal de Ouro Pretopt-BRVirtualia Journal3086-3899<p class="ds-markdown-paragraph"><strong>Direitos Autorais:</strong> Os textos e imagens publicados na Revista Virtualia estão licenciados sob a <strong>Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)</strong>. Esta licença permite que outros compartilhem, adaptem, e criem a partir do material publicado para qualquer fim, inclusive comercial, desde que seja dado o crédito apropriado aos autores e à revista. Para ver uma cópia da licença, visite: <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://creativecommons.org/licenses/by/4.0</a></p>Sócrates Viajante
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<p>Este artigo pretende apresentar o personagem do Sócrates platônico da <em>República</em> como uma espécie de viajante, utilizando-se para isso de algumas imagens de viagem que Platão lança mão logo no início de seu diálogo: a catábase, a <em>theōriā</em>, as viagens náuticas, as jornadas de longa distância. Pretende-se com isso demonstrar que mesmo o sedentaríssimo Sócrates que, segundo Diógenes Laércio, não viajou senão em ocasiões de guerra, ou ainda, o Sócrates, o mais enraizadamente ateniense dos filósofos, pode ser visto também sob o prisma de um certo nomadismo.</p>Gilberto de Melo Caldat
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2026-02-012026-02-011011010.5281/zenodo.18841803O Campo de Batalha Simbólico do Woke
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8262
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo analisa a circulação contemporânea do termo “woke” e sua metamorfose de gesto de despertar antirracista em repertório mercadológico. A partir de uma genealogia conceitual e de três estudos de caso (Bud Light, Jaguar e American Eagle), investiga como campanhas publicitárias reconfiguram identidades, transformando diferenças em valor simbólico e simulacro. Articula-se Foucault, Deleuze, Han e Baudrillard para mostrar como a diferença pode tanto abrir linhas de fuga quanto ser reabsorvida pela lógica do capital, operando como dispositivo de poder que modula subjetividades pela positividade e visibilidade. O ensaio conclui que a política da identidade, ao entrar no mercado, corre o risco de se tornar superfície de consumo, esvaziando seu potencial emancipatório.</span></p>Vitor Emanuel Gripp
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2026-02-012026-02-011112510.5281/zenodo.18841859Habermas e o Contexto Brasileiro
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8253
<p>O artigo “Habermas e o Contexto Brasileiro: Tradução Teórica e Desafio Prático” propõe uma leitura situada da teoria habermasiana, reinterpretando a racionalidade comunicativa a partir das condições históricas, sociais e políticas do Brasil. A partir da ideia de que “pensar Habermas desde o Sul” implica uma travessia epistemológica e não apenas terminológica, o texto examina as tensões entre o universalismo da teoria e a contingência periférica das sociedades latino-americanas. Sustenta-se que, no Brasil, a linguagem é simultaneamente meio de entendimento e arena de disputa simbólica, em que o reconhecimento se converte em luta cotidiana contra desigualdades estruturais. A teoria do agir comunicativo, ao ser relida desde o Sul, adquire densidade ética e política: torna-se um projeto de razão insurgente, que transforma a escuta em ato de emancipação e a linguagem em instrumento de reconstrução democrática.</p>Marco Bettine
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2026-02-042026-02-041275210.5281/zenodo.18841916Panorama sobre o conceito de encarnação. Do século IV d.C ao XVIII
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8433
<p align="justify">O presente artigo tem como objetivo traçar um panorama sobre o conceito de encarnação a partir do século IV d.C até o século XVIII. Tal recorte se justifica na medida em que o século IV marca um divisor de águas na história da igreja cristã e suas decisões, principalmente a partir do concílio de Niceia darão o tom do debate em torno do conceito de encarnação nos séculos posteriores até depois da reforma protestante do século XVI. Para traçar tal panorama nosso texto se inicia com o debate cristológico do século IV que culmina na formulação do credo niceno-constantinopolitano em 381 d.C, em seguida analisamos como que o conceito de encarnação é tratado por três autores da escolástica, a saber, Alexandre de Hales, São Boaventura e São Tomás de Aquino, e na sequência ressaltamos o tom do debate na modernidade até o século XVIII.</p>Fabiano Veliq
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2026-02-012026-02-011536910.5281/zenodo.18841951Câmeras e corpos
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8328
<p>Seguindo os passos de Heidegger e Cavell, o texto pretende explorar como os avanços tecnológicos desenvolveram novas relações dos sujeitos com as imagens. Em particular, será argumentado que temos um anseio por ver – tomamos a visão como o sentido primordial, de modo a deixar de lado outras formas de nos relacionarmos com o mundo senão através do contato visual enquanto uma forma de consumo. Para elaborar essa perspectiva, serão analisadas partes do filme Homens, mulheres e filhos e como dos personagens centrais tem seu desenvolvimento afetado pelo consumo de imagens.</p>Igor Nascimento
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2026-02-012026-02-011708910.5281/zenodo.18841991A reversão do momento protético
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<p>Neste trabalho examinamos a dupla função da tecnologia, a saber, a ampliação dos sentidos humanos, o momento protético da tecnologia, e a reversão dessa ampliação dos sentidos humanos sobre o frágil e minúsculo corpo humano, pelo qual tanto a máquina se torna armadura quanto se torna um gerador de excesso de estímulos inundando o corpo humano. Mapeamos essa diferença a partir dos diferentes modos técnicos da produção capitalista, da manufatura à maquinaria e inscrevemos a dupla função da tecnologia nas condições de transformação do aparelho psicossensorial humano, acarretada pelo processo de modernização industrial. É a partir da modernização industrial que a reversão do momento protético ocorre: da técnica como apêndice instrumental do homem, ao homem como órgão apêndice da maquinaria técnica submetida ao processo de valorização do valor capitalista.</p>Rodrigo Mickus
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2026-02-012026-02-0119111310.5281/zenodo.18842021Design, contraconduta e algoritmos
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8348
<p>Neste estudo, propomos pensar o design como capacidade de conceber modos de vida críticos e desobedientes. Para tanto, na primeira seção, delineamos como parte do design utilitário é concebido a partir do conceito de obediência, moldando comportamentos e modos de ser. Com base em uma visão histórica da filosofia do design e em exemplos do que consideramos práticas de artistas e designers desobedientes, abordamos tanto o conceito de desobediência quanto os modos de contraconduta como formas de escapar do controle sutil dos algoritmos. Por fim, refletimos sobre as possibilidades de projetar modos de vida desobedientes a partir de formas de estar-no-mundo mais próximas da arte e de performances presenciais que focam na corporalidade, o que nos permite perceber que o modo de vida mais desobediente envolve uma vida mais crítica que compreende o valor do estar-com outros seres de uma maneira mais situada.</p>Leonardo Marques KusslerMarcos Beccari
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2026-03-062026-03-06111414010.5281/zenodo.18890643 A Crítica de Schlick ao conhecimento sintético a priori de Kant
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<p>O artigo analisa a concepção kantiana de juízos sintéticos <em>a priori</em> e as críticas de Moritz Schlick, da perspectiva do positivismo lógico. Para Kant, tais juízos ampliam o conhecimento de modo necessário e universal, fundamentando matemática, geometria, física e a própria possibilidade da metafísica como ciência. Eles decorrem de formas puras da sensibilidade (espaço e tempo) e de categorias do entendimento, como causalidade. Schlick rejeita essa posição ao mostrar que: (i) a geometria depende de axiomas e convenções e é reconfigurada por geometrias não euclidianas e pela relatividade; (ii) a aritmética é analítica, baseada em definições e regras, não em intuições temporais; (iii) a causalidade é hipótese empírica, não categoria a priori. Conclui-se que, para Schlick, não existem juízos sintéticos <em>a priori</em>, de modo que a metafísica não pode reivindicar estatuto científico.</p>LUCAS MURATA
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2026-03-062026-03-06114115810.5281/zenodo.18895376Reflexões antropológicas maquiavelianas
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/7392
<p>Este trabalho tem por objetivo analisar o pensamento desenvolvido por Maquiavel, contidos em seus escritos, reflexões e conceitos sobre o agir virtuoso de um governante, à luz de comentadores que debatem sobre o autor e sua filosofia. Buscando ser fiel ao pensamento maquiaveliano, procura-se identificar os pilares da sua teoria moral e política, levando consideração suas referências históricas, conceitos e análises. Ao contemplar a filosofia contida nos escritos de Maquiavel, não podemos deixar de lado seus conceitos trabalhados e o contexto histórico pelo qual ele está inserido e fala. O rompimento com o conceito medieval de ética, vinculado aos dogmas da fé cristã, é superado por outro modelo na teoria de Maquiavel, alterando significativamente o conceito de agir moral. O novo modelo de virtude, denominado <em>virtù</em>, pari passo a <em>fortuna</em>, são os instrumentos desenvolvidos pelo autor capazes de transformar a realidade mediante a ação política efetiva. Assim, pretende-se realizar uma leitura crítica dos fatos e das consequências trazidas pelo pensamento do autor, bem como a originalidade desta para explicar o cenário de conflitos políticos. Para isso, as leituras do autor florentino na língua original, italiano, bem como de comentadores como Fábio Frosini, serão decisivas para desenvolvermos os temas propostos.</p>Railson da Silva Barboza
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2026-03-092026-03-09115917810.5281/zenodo.18931000Da Grécia Antiga ao Novo Mundo
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<p>O presente artigo investiga o papel do ceticismo filosófico na formação da modernidade europeia, articulando suas raízes na Grécia Antiga com os processos históricos que marcaram a Europa entre os séculos XI a XVII. A partir da análise das crises estruturais medievais — guerras, pestes, fome, declínio feudal, reformas religiosas e instabilidade política — demonstra‑se como a dúvida reaparece como atitude filosófica e como resposta às tensões sociais, culturais e epistêmicas do período. Em seguida, examina‑se a relação entre o ceticismo e as grandes navegações, destacando como a metáfora do “ovo de Colombo” sintetiza tanto a ruptura com paradigmas medievais quanto a lógica de apropriação que caracterizou a expansão europeia. O encontro com os povos indígenas das Américas produziu uma crise epistemológica que abalou o imaginário europeu e contribuiu para a reconfiguração do ceticismo moderno. Nesse contexto, a obra de Montaigne (2018) e do prof. Danilo Marcondes (2019) e Popkin (2000) são nosso ponto de partida e também analisadas como expressão privilegiada dessa crítica, evidenciando a relatividade dos costumes e a violência das narrativas coloniais. Conclui‑se que o ceticismo, longe de ser apenas uma corrente filosófica abstrata, constitui elemento fundamental para compreender as tensões entre modernidade, colonialidade e invenção das Américas.</p>Marcelo Duarte
Copyright (c) 2026 Marcelo Duarte
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2026-04-072026-04-07117921410.5281/zenodo.19474890AKIRA: Hibridismo do Humano e o Retorno do Ciborgue
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8346
<p><span style="font-weight: 400;">Este presente artigo discute a obra japonesa </span><em><span style="font-weight: 400;">Akira</span></em><span style="font-weight: 400;"> (1988) como expressão simbólica do hibridismo humano-máquina e da crise do humanismo moderno. A partir do devir-ciborgue de Tetsuo Shima, investiga-se a dissolução das fronteiras entre o orgânico e o tecnológico, articulando conceitos de Donna Haraway, Bruno Latour, Deleuze e Guattari, Althusser, Nick Land e Mark Fisher. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem teórico-conceitual e analítica, examinando o filme como dispositivo crítico das transformações ontológicas e políticas do sujeito na modernidade. O estudo evidencia como a figura do ciborgue desestabiliza dicotomias centrais — humano/não-humano, natureza/cultura, técnica/corpo — e opera como metáfora da aceleração capitalista e da desterritorialização pós-humana. Conclui-se que Akira propõe uma reconfiguração do humano através da falência do projeto moderno e da emergência de novas sensibilidades coletivas e híbridas.</span></p>Luan Henrique Maciel
Copyright (c) 2026 Luan Henrique Maciel
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2026-04-072026-04-07121524310.5281/zenodo.19474748Podemos Ensinar Moralidade às Máquinas?
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<p>Nessa resenha é apresentada, analisada e discutida criticamente a obra “<em>Podemos Ensinar Moralidade às Máquinas?</em> – Inteligência Artificial e Ética em Debate”, publicada em 2025 pela editora Dialética e escrita por Flávia Braga de Azambuja, doutora em filosofia pela UFPel. Derivada da tese de doutorado da autora, o escrito procura averiguar se uma Inteligência Artificial pode tomar decisões morais, o que implicaria uma compreensão de conceitos como certo e errado, permitido e proibido, bem e mal. Para tanto, Azambuja investiga a possibilidade de representar, através da lógica modal, o abstrato conhecimento moral. O livro se destaca pelo teor interdisciplinar, pois lida com temas filosóficos, tecnológicos e inclusive psicológicos. O escrito é dividido em cinco segmentos, cada um com uma estrutura interna bem organizada e, em muitos casos, autossuficiente: a primeira parte introduz o campo da Inteligência Artificial e conceitos como <em>Machine Learning</em>, <em>Deep-learning</em>, Conexionismo e relacionados. Também na parte um, Azambuja disserta sobre a filosofia moral consequencialista e utilitarista de John Stuart Mill, bem como a abordagem construtivista social de Jesse Prinz. Na segunda parte, a obra discute a lógica mental, os modelos mentais e o fenômeno do “viés da crença”. O capítulo três é dedicado a lógica modal, um tipo de lógica formal não-monotônica que auxilia a capturar relações de possibilidade, necessidade e crença. Na quarta parte, as reflexões anteriores sobre lógica são utilizadas para lidar com três dilemas morais, que envolvem questões de saúde pública, liberdade individual e segurança nacional. A última parte do livro busca responder ao questionamento inicial, finalizando o argumento construído ao longo de toda a obra. “Podemos Ensinar Moralidade às Máquinas?” é louvável como obra introdutória e acessível. Todavia, por razões de cunho estrutural e metodológico, existem algumas insuficiências no tratamento dado ao assunto da moralidade, que perde espaço para a lógica e a psicologia cognitiva. A obra, portanto, se ocupa em demasia da filosofia teórica em detrimento da filosofia prática, o que se traduz numa resposta final que não é plenamente satisfatória diante do questionamento iniciado, considerando a amplitude de perspectivas e o intenso debate que é indissociável da filosofia moral.</p>Lucas de Azeredo Crespi
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2026-04-142026-04-14124426110.5281/zenodo.19579419Heinrich Rickert, Emil Lask e Gustav Radbruch
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8521
<p>O presente artigo investiga os fundamentos axiológico-jurídicos que sustentam a filosofia do direito de Gustav Radbruch, com especial atenção à sua célebre fórmula da extrema injustiça, partindo da hipótese de que tal formulação não representa uma ruptura na obra do autor, mas sim o amadurecimento orgânico de um pensamento cuidadosamente construído sobre as estruturas da Filosofia dos Valores da Escola de Baden, particularmente na figura de Heinrich Rickert, e da teoria dos objetos de Emil Lask, esta última profundamente tensionada pela crítica fenomenológica de Edmund Husserl. O percurso argumentativo inicia-se com a análise detalhada do método das ciências culturais em Rickert, avança pela mediação crítica de Lask, que inscreve o direito como objeto cultural referido a valores, e culmina na síntese radbruchiana propriamente dita, que define o direito como realidade que tem o sentido de estar ao serviço da ideia de justiça. Examina-se, então, o conflito ineliminável entre as antinomias da ideia de direito, justiça, finalidade e segurança jurídica, para, finalmente, demonstrar como a fórmula da injustiça extrema emerge como resultado necessário de uma filosofia que situa o direito no espaço intermediário entre ser e dever-ser, fato e valor, encontrando nos direitos humanos o limite material intransponível da positividade.</p>Lucas Frederico Rodrigues SeemundNewton de Oliveira Lima
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2026-04-142026-04-14126228810.5281/zenodo.19583156Weitz e o Argumento do Conceito Aberto
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8583
<p align="justify"><span style="font-family: Palatino Linotype, serif;"><span style="font-size: medium;">O primeiro objetivo do presente artigo é reconstruir o argumento do conceito aberto, de Morris Weitz, em defesa da tese de que é impossível definir o conceito de arte. A interpretação apresentada tem duas consequências importantes: (a) Weitz não está realmente comprometido com a afirmação controversa, por vezes atribuída a ele, de que apenas conceitos abertos são compatíveis com manifestações de criatividade; (b) o argumento do conceito aberto não pressupõe o modelo das semelhanças de família, de modo que as objeções ao último, mesmo que corretas, não refutam o primeiro. O segundo objetivo é responder à objeção de Carroll de que o argumento do conceito aberto seria uma instância de falácia do equívoco. Argumentamos que a crítica de Carroll se apoia em uma reconstrução possível, porém implausível, da proposta de Weitz. Por um lado, Carroll introduz pelo menos duas premissas desnecessárias no argumento de Weitz. A retirada das premissas não apenas evitaria a falácia, mas também resultaria numa leitura mais fiel ao texto de Weitz. Por outro lado, a reconstrução proposta do argumento do conceito aberto é mais caridosa do que a de Carroll, e também mais fiel à estratégia argumentativa de Weitz. Concluímos que não há boas razões para aceitarmos que o argumento do conceito aberto seja um caso de falácia do equívoco. </span></span></p>Sagid SallesNayla Rodrighero
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2026-04-172026-04-17128932710.5281/zenodo.19635036The Linguistic Impossibility of the Divine:
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8307
<p><strong>This paper argues for a novel thesis in philosophy of language and philosophy of religion: that language itself renders impossible any genuine encounter with, description of, or reference to infinite, perfect, or omnipotent beings. Unlike traditional arguments against divine attributes that focus on logical contradictions between properties (omnipotence paradoxes, problem of evil), this paper demonstrates that the very act of linguistic engagement with the concept of the divine necessarily corrupts and limits any absolute being. Drawing on insights from Wittgenstein's philosophy of language, Derrida's deconstruction, and original analysis of the performative contradictions inherent in theological discourse, we establish that the linguistic prerequisite for conflict makes any "speakable paradise" logically impossible. This constitutes an original contribution to both negative theology and philosophy of language, providing a new foundation for understanding why mystical traditions consistently emphasize the ineffability of the divine.</strong></p>Euclides Souza
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2026-05-162026-05-16132834910.5281/zenodo.20248661Democracia digitalizada e interações digitais patológicas
https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8313
<p class="p1">Este artigo possui como escopo investigativo o mais recente livro lançado pelo filósofo alemão Jürgen Habermas “<em>Uma Nova Mudança Estrutural da Esfera Pública e a Política Deliberativa</em>” (2023), onde ele realiza uma análise contemporânea das ferramentas digitalizadoras da democracia, especificamente na política deliberativa e formação de opinião dos cidadãos na esfera pública. Nosso intuito é um exame crítico da ideia habermasiana de deformação da esfera pública, justamente devido à ascensão de instrumentos tecnológicos-digitais. Ademais, apontar e salientar pontos insuficientes da análise de Habermas, no que tange o funcionamento das degenerações algorítmicas fragmentadoras da democracia. Esta pesquisa analisa como aspectos sutis de instauração do neoliberalismo tecnológico, a partir do século XXI, engendram uma derrocada sobre o modelo democrático, com o fito de perpetuação de uma digitalização da democracia, resultando em teorias conspiracionistas, notícias falsas e discursos de ódio. Para tanto, este trabalho sonda as ideias habermasianas presentes naquele livro, em contrapartida com as percepções de críticos das ênfases algorítmicas contemporâneas, como Byung-Chul Han (1959-), Shoshana Zuboff (1951-), Evgeny Morozov (1984-), entre outros. Como resultado, obteve-se uma investigação que alarma acerca do campo minado em que encontra-se a democracia contemporânea, apontando carências da análise habermasiana, e os passos fundamentais para pensar acerca dos ditames patológicos do algoritmo.</p>Rafael Douglas Sousa de Andrade
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2026-05-212026-05-21135038010.5281/zenodo.20238725