TEXTO, TEMPLO E TEMPO DE MINAS: A LITERATURA MINEIRA EM QUESTÃO – SUBMISSÕES PRORROGADAS ATÉ 12 DE FEVEREIRO DE 2021

2021-01-25

“É importante viver a experiência da nossa própria circulação pelo mundo, não como
uma metáfora, mas como fricção, poder contar uns com os outros”. A frase é de Ailton
Krenak, autor indígena que pede, em outro momento, para atentarmos para a
complexidade de Minas Gerais, convidando-nos a sermos mais Gerais e menos Minas.
O pedido diz respeito ao cuidado ambiental e à percepção dos diferentes modos de vida
dessa ampla região e mostra a importância de viver nossa presença no mundo como
atrito, fissura, dissenso, e também como variação, transformação. Guimarães Rosa,
escritor da errância, colocando a língua em rotação, mostrou que o morro e as grutas
falam e nos fazem lembrar “do que nunca soube”. Poetas que por aqui passaram,
escutando e observando os ecos do barroco – essa língua excessiva e tortuosa – ,
fizeram circular os modernismos: a caravana  de 1924, liderada por Mário de Andrade e
Oswald de Andrade, decididos a assistir a Semana Santa em Minas, seguiram os passos
de Aleijadinho até Congonhas, e acabaram por conhecer o movimento modernista de
Drummond. Na poesia deste itabirano, inclusive, o sujeito, constantemente interpelado
por tudo aquilo que lhe escapa, circula imaginariamente pelo mundo sem que sua Itabira
deixe seu campo de visão. Comparável àqueles escritores estrangeiros como Georges
Bernanos e Elizabeth Bishop, que, mesmo tendo o mundo à frente, escolheram viver em
cidades pequenas de Minas Gerais, misturando o tropical aos seus respectivos estilos. 
Mas, afinal, como este estado tão rural quanto moderno, intimista e propulsor, se
inscreve na literatura daqueles que o escrevem, à medida que o criavam, dando unidade
à diversidade? De fato, é possível olhar de diferentes ângulos esta paisagem angulosa, a
confundir observador e observado, conterrâneo e estrangeiro, sujeito e minério: de
maneira submersa, como faz a poeta contemporânea Ana Martins Marques, ou no corpo
presente que entoa os cantos de Congado, interrompendo-se na drummondiana pedra ou
seguido vertiginosamente nas veredas rosianas. É esta história que se deseja escrever e
questionar neste dossiê temático: a literatura que se ancora em Minas Gerais
(feita sobre ou em ou contra ou por) e as produções que atravessam essa espacialidade,
incluindo aí a crítica e a teoria literária, tão potentes e desafiadoras quanto o melhor das
literaturas gerais. 

A revista receberá artigos para o Dossiê, assim como artigos de temática livre, resenhas
e traduções até o dia 12 de fevereiro de 2021. Os textos – que aprovados em parecer duplo-cego –
serão publicados em julho de 2021. Para mais informações sobre a submissão:

http://caletroscopio.ufop.br 

Editores do Dossiê
Prof. Dr. Alexandre Agnolon
Prof. Dr. Emílio Carlos Roscoe Maciel