A Palavra em Artaud ou a Carne que se faz Verbo

Resumo

O objetivo deste artigo é discutir o lugar ou os lugares da palavra na obra de Antonin Artaud, tanto no teatro onde propõe novas maneiras de usá-la, desde a sonoridade até os espaços do silêncio, quanto na literatura que, de alguma forma quebra as fronteiras entre os gêneros conto, romance, poesia, cartas e outros, dando ênfase à poiesis, à criação como a verdadeira pulsão do espírito. Nesse sentido, trata-se de uma abordagem de Artaud, no que diz respeito à palavra, tendo por base o poema Ci-Gît (Aqui Jaz), que se insurge a partir de três formas de linguagem, a saber: o francês normativo, a gíria e as emissões glossolálicas.

Biografia do Autor

Wilson Coelho
Doutor em Literatura Comparada pela UFF, além de poeta, tradutor, palestrante, encenador, dramaturgo e escritor com 20 livros publicados, bem como licenciado e bacharel em Filosofia, Mestre em Estudos Literários pela UFES e Auditor Real do Collège de Pataphysique de Paris. Como professor universitário lecionou disciplinas de filosofia, ética, ciência política, artes e lógica. Assina a direção de 24 espetáculos montados pelo Grupo Tarahumaras de Teatro, com participação em festivais e seminários de teatro no país e no exterior, como Espanha, Chile, Argentina, França e Cuba, ministrando também palestras e oficinas.

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Publicado
2020-05-01