Empeleitada: “eu só trabalho na” ou só brinco nela?

Palavras-chave: Cavalo-marinho, Artes cênicas, Poéticas pretas, Ancestralidade

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo compreender novas dinâmicas de análise das figuras Mateu e Bastião, presentes na manifestação artística oriunda da Zona da Mata Norte de Pernambuco – Cavalo Marin . São dois protagonistas que através do exercício da brincadeira apresentam formas de relação com o trabalho mediadas pela categoria empeleitada. Da mesma forma, vimos que as ancestralidades afro diaspóricas de Exú e Ibeji contribuem para percebemos que as narrativas sobre essas figuras estão mais atreladas a uma construção autônoma e malandreada do exercício de negociar o trabalho, do que à marginalização atribuída aos corpos escravizados.

Biografia do Autor

Renato Mendonça Barreto da Silva , Universidade Federal do Rio de Janeiro

Renato Mendonça Barreto da Silva é Mestre e Doutor em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Bacharel em Educação Física pela mesma instituição. Atualmente é Professor Adjunto II no Departamento de Arte Corporal no EEFD/UFRJ. 

Bruno Rodolfo Martins

Bruno Rodolfo Martins é Mestre em Relações Etnicorraciais, Especialista em História da África e da Diáspora Africana no Brasil e em Gênero e Sexualidade. Bacharel e Licenciado Pleno em Educação Física pela UFRJ. Atualmente é professor da SME-PCRJ e Substituto do Departamento de Lutas da EEFD-UFRJ.

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Publicado
2020-12-05