CHAMADA DE ARTIGOS DA REVISTA ARTEFILOSOFIA

2019-12-13

Figurações e interlocuções: a questão feminina em walter benjamin

 

Embora não fosse poeta e tivesse uma formação filosófica, Walter Benjamin (1892-1940) pensava poeticamente. É o que afirma Hannah Arendt sobre seu amigo e correspondente de longa data. De fato, em sua obra vasta e heterogênea, em grande parte póstuma, Benjamin opera de modo inegavelmente poético, reunindo materiais diversos com os quais construía metáforas e inventava narrativas que se relacionam intimamente a elementos teórico-conceituais. Nela, o feminino aparece em imagens recorrentes, cujo sentido pode variar de acordo com o contexto, em diferentes figurações e ficções. Em relação com tais figurações ficcionais, um de seus primeiros ensaios coloca a questão do que seria uma cultura feminina ou uma linguagem feminina (Metaphysik der Jugend, GS, II, I, 1977). Entretanto, apesar de desempenhar um papel importante em muitos textos, este complexo temático e metafórico ainda não foi suficientemente explorado pela crítica especializada.

Por outro lado, se a primeira recepção de Benjamin privilegiou suas amizades com Theodor Adorno, Gerschom Scholem e Bertoldt Brecht, a publicação de sua vasta e intensa correspondência com Gretel Adorno, assim como descobertas recentes sobre o papel de Hannah Arendt na conservação de versões importantes de manuscritos publicados apenas postumamente, como as chamadas “Teses sobre o conceito de historia”, chamam a atenção para a importância destas e de outras interlocutoras na constituição e na conservação de seu pensamento. Nesse sentido, parece-nos também significativo que Benjamin tenha dedicado três importantes textos a mulheres com as quais se correspondeu durante sua vida: à escultora e amiga Jula Cohn, dedica “As afinidades eletivas de Goethe” (1922); à tradutora Dora Sophia Pollak, com quem foi casado, dedica A origem do drama trágico alemão (1925); à atriz e diretora teatral Asja Lacis, por quem foi apaixonado, dedica Rua de mão única (1926). Assim, com o objetivo de ampliar o escopo interpretativo de sua obra, convidamos pesquisadoras e pesquisadores da área para pensar as figurações da questão feminina assim como o papel de interlocutoras e correspondentes mulheres na vida intelectual do autor.

Figuras femininas como a prostituta, a mãe, a avó materna, a lésbica, Safo, entre outras, aparecem na obra de Benjamin desde o chamado período de juventude, como em a “Metafísica da Juventude” (1913/14), até seus textos mais tardios, como nos ensaios sobre Baudelaire (1939), no Livro das Passagens (1935-40), passando por Rua de mão única (1926), Infância em Berlim por volta de 1900 (1933-35), e Imagens de Pensamento (1925-35). Nessa perspectiva, os cursos oferecidos no verão de 1913 pelo neokantiano Heinrich Rickert, que abordava o feminino como esfera axiológica de seu Sistema de Valores, assim como o contato com o Matriarcado (1861) de Bachofen constituem sem dúvida fontes para a elaboração da questão feminina no corpus benjaminiano. Sobre Bachofen – citado indiretamente no ensaio sobre As Afinidades Eletivas acerca da Otília goethiana, e diretamente no ensaio sobre Kafka (1934) – Benjamin escreve um artigo em 1935. Além dessas fontes, não devemos esquecer a saint-simoniana Claire Démar, autora de Minha lei do porvir (1834), que Benjamin diz antecipar a imagem da mulher heroica em Baudelaire.

Este dossiê convida artigos que possam desdobrar as figurações do feminino na obra e/ou explorar as implicações intelectuais das amizades e interlocuções de Walter Benjamin com mulheres. Nesse ponto, se o método benjaminiano consiste em dar potência ao passado ao apontar no presente o que nos constitui como esquecimento, este dossiê segue seu método ao ter também como objetivo dar potência ao que permanece em sua própria obra como esquecido: as figuras femininas – quer históricas, quer metafóricas – e suas relações com a linguagem, a erótica, a temporalidade, a arte e a política.

 

Organizadores do dossiê:

 

Isabela Pinho, Doutora em Filosofia pela UFRJ

Patrícia Lavelle,  Professora adjunta do Departamento de Letras da PUC Rio

 

Data para o envio dos textos: De 13/12/2019 a 01/06/2020

 

Dados para a formatação dos textos:

Os artigos deverão ter, no máximo, 20 páginas, no seguinte formato: papel A4, documento do tipo Word, com fonte Times New Roman 12, em “estilo normal” ou “corpo de texto”, espaço simples entre linhas, parágrafos justificados e margens de 3 cm, evitando-se o uso de recursos avançados de edição, como estrutura de tópicos e semelhantes.

Todos os trabalhos deverão apresentar: título e resumo em português e em

inglês, com 200 palavras no máximo; palavras-chave nas duas línguas.

Autores: não deverão ser identificados em nenhuma parte do texto do artigo (sistema duplo blind peer review). A mini-biografia do autor, a afiliação institucional e o endereço de email devem ser informados no formulário de submissão, não no corpo do texto.

Ilustrações: gráficos, tabelas, desenhos, mapas etc. devem ser numerados e  

titulados tão perto quanto possível do elemento a que se refere, indicando sua  

fonte. Os direitos de reprodução de imagem devem ser conseguidos pelos

próprios autores.

Citações: para as citações no texto devem ser adotado o sistema numérico (NBR

10520:2002). A indicação da fonte é feita por numeração única e consecutiva,

em algarismos arábicos, remetendo-se a nota de rodapé pela referência completa

na primeira menção, devendo conter Sobrenome do autor (seguido de vírgula),

prenomes (seguido de ponto); Título da obra em negrito (seguido de ponto);

edição (seguido de ponto); local (seguido por dois pontos); editora (seguido de

vírgula); ano da publicação (seguido deponto); se for o caso indicar o volume ou

tomo e finalmente a página da fonte. Na segunda menção Sobrenome do autor

(seguido de vírgula); prenomes (seguido de vírgula); op.cit. (na obra citada);

página da fonte. Quando as notas do mesmo autor estiverem em sequência,

poderão ser usadas as expressões latinas, seguidas do número da página citada.

A) apud: citação de segunda mão; cf: confrontar refere-se a; ibid na mesma obra

citada (mesmo autor, mesma obra, porém páginas diferentes); id mesmo autor

(mesmo autor, mesma obra, mesma página); op.cit. na obra citada. As citações

diretas curtas (até três linhas) devem vir entre aspas e incorporadas ao texto e

sem alteração do tipo de letra. As citações longas (mais de três linhas) devem

apresentar recuo de 4 cm da margem esquerda, com letra menor que a do texto

utilizado (fonte 11) e sem aspas. As citações indiretas devem vir sem aspas. As

citações de citações podem utilizar a expressão apud e a obra original a que o

autor consultado está se referindo deve ser citada. Para outras informações

acerca do uso de citações, o autor deverá consultar a ABNT (NBR 10520:2002).

Referências: deverão ser apresentadas observando-se rigorosamente a ordem

alfabética. As referências bibliográficas deverão ser elaboradas conforme as

disposições da NBR 6023:2002, da Associação Brasileira de Normas Técnicas

(ABNT), somente com elementos essenciais.

 

Modelo de referência bibliográfica de livro:

SOBRENOME, Nome do autor; SOBRENOME, Nome do autor. Título do livro: subtítulo do livro. Edição. Local: Editora, ano. Xx p.

Modelo de referência bibliográfica de livro disponível on-line: SOBRENOME, Nome do autor; SOBRENOME, Nome do autor. Título do livro: subtítulo do livro. Edição. Local: Editora, ano. Xx p. Disponível em. Acesso em: DD/MM/AAAA.

Modelo de referência bibliográfica de artigo publicado em periódico: SOBRENOME, Nome do autor; SOBRENOME, Nome do autor. Título do artigo. Nome da revista, Cidade, v.00, n.11, p.111-222, jan. 2012.

Modelo de referência bibliográfica de artigo publicado em periódico disponível online:

SOBRENOME, Nome do autor; SOBRENOME, Nome do autor. Título do artigo. Nome da revista, Cidade, v.00, n.11, p.111-222, jan. 2012. Disponível em:. Acesso em DD/MM/AAAA.