Um diálogo entre Glauber Rocha e Georges Didi-Huberman

  • Pedro Hussak van Velthen Ramos Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Didi-Huberman, Glauber Rocha, Estética contemporânea

Resumo

Partindo da maneira pela qual o curador Georges Didi-Huberman agenciou a cena de lamentação pela morte de um camponês no filme do realizador brasileiro Terra em Transe (1967) exposição Nouvelles histoires de fantômes (2014), este artigo pretende discutir a forma como esta cena foi articulada em um esquema lamentação/levante. O modelo é aquele de O Encouraçado Potenkim de Serguei Eisenstein no qual à morte do marinheiro segue-se uma revolta popular. Pretende-se mostrar que o esquema proposto por Didi-Huberman, caso a cena seja contextualizada na economia dramática do filme, não funciona, pois ela se insere em um contexto muito mais complexo no qual o realizador Glauber Rocha pretende discutir os impasses da esquerda do Brasil e na America Latina nos anos 1960. Por fim, sustenta-se que a cena da lamentação no filme pode ser entendida dentro de uma concepção maior presente nos filmes de Glauber Rocha de um “Cristo do Terceiro Mundo”.

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Biografia do Autor

Pedro Hussak van Velthen Ramos, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Doutor em Filosofia UFRJ

 

Professor do PPGFIL/UFRRJ

Referências

DIDI-HUBERMAN, Georges. Que emoção! Que emoção? Trad. Cecília Ciscato. São Paulo: 34

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Publicado
2019-02-18
Seção
Diversos