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Conjugalidade, casamento e organização familiar negra durante o regime escravista no Brasil

Resumo

Neste artigo procuro discutir as relações de conjugalidade, o casamento e a organização familiar da população negra no Brasil, durante o regime escravista. Minha intenção é questionar visões estereotipadas que destacam a suposta promiscuidade e a inexistência de laços familiares entre a população negra durante o regime escravista. Argumento que essa visão emerge da imposição de um modelo único e patriarcal de família, onde a figura masculina é tratada como o centro do poder. Essa situação contribui para que outras formas de conjugalidade sejam desconsideradas, como por exemplo, as famílias matrifocais, a bi e a poligamia. Para fazer meu debate adoto uma postura genealógica e lanço um olhar crítico à história tradicional. Utilizo o conceito de interseccionalidade por entender que possibilita o revezamento entre diversas áreas do conhecimento, como os estudos das relações étnico-raciais, os estudos culturais, de gênero e diversidade sexual, aliadas a perspectiva pós-estruturalista e pós-colonial. Para dar mais consistência às minhas reflexões, faço ainda, a análise de três imagens por entender que a linguagem visual também pode ser discursiva ultrapassando os limites de leituras estéticas.

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Biografia do Autor

MEGG RAYARA GOMES DE OLIVEIRA, Universidade Federal do Paraná
Licenciada em Desenho e especialista em história da arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Especialista em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira pela Universidade Tuiuti do Paraná; Mestra e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Paraná; Professora adjunta no Setor de Educação na Universidade Federal do Paraná; Professora no Programa de Pós-Graduação na Universidade Federal do Paraná; Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Paraná.

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Publicado
2020-04-30