Tabus linguísticos e a Pragmática de Libras
avanços e desafios na Sociolinguística da Língua de Sinais Brasileira
Resumo
Este artigo destaca a relevância de compreender os mecanismos linguísticos envolvidos na Língua Portuguesa e na Língua de Sinais Brasileira (Libras), com foco nas implicações Sociolinguísticas e na inclusão da pessoa Surda. A partir de uma abordagem qualitativo-interpretativista, analisa-se como ocorre os termos tabu, considerando fatores sociais, discursivos, emocionais e identitários. A pesquisa evidencia que a tradução desses termos, muitas vezes estigmatizados, é essencial para fortalecer a expressividade e a representatividade cultural da Comunidade Surda. Além disso, ressalta-se que a construção de um vocabulário mais completo e inclusivo em Libras depende da incorporação crítica desses elementos no ensino da língua. O estudo defende que a superação de tabus linguísticos contribui para práticas linguísticas mais realistas e respeitosas, promovendo a inclusão e o diálogo entre diferentes comunidades linguísticas. A complexidade dessa questão, aliada à escassez de pesquisas linguísticas sobre o uso de termos tabus na Libras, destaca a necessidade urgente de investigações mais aprofundadas e específicas que explorem as dinâmicas Sociolinguísticas envolvidas. Este estudo propõe, assim, um avanço nas discussões sobre a pragmática de Libras, sugerindo que a língua de sinais seja mapeada de maneira mais abrangente e crítica, especialmente no que tange aos termos tabu e à sua relação com o contexto sociocultural da comunidade Surda. Conclui-se que é urgente ampliar as investigações sobre as interfaces Sociolinguísticas entre a Libras e o Português.
Downloads
Referências
BONA, Alessio. Il turpiloquio nel serial: approccio alla traduzione. Milano: 2008, 54f. Tesi di laurea. (Laurea in Mediazione Linguistica e Culturale) – Università degli Studi di Milano. Disponível em: http://www.focus.it/Community/cs/blogs/vito_dixit/default.aspx. Acesso em: 20 de Jun. 2025.
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemos na escola, e agora? Sociolingüística & Educação. São Paulo: Parábola Editorial, 2005, p. 15, 61.
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Português brasileiro, a língua que falamos. Editora Contexto, 2021.
BASSO, R. M. Palavrão é legal pra caral*o. ROSETA, Abralin, 2018.
CALVINO, Italo. Una pietra sopra. Milano: Mondadori, 2009.
CANDAU, Vera. Maria. Reinventar a escola. Petrópolis: Editora Vozes, 2003.
CUNHA, José. Paulo. Leite. “KD o pai dessa criança?!” Uma abordagem sociológica e comunicacional do discurso de atores sociais pais de crianças com síndrome de Down. 2021. Tese (Doutorado em Letras) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2021.
FAIRCLOUGH, Norman. Discurso e mudança social. Brasília: Editora UnB, 2001.
FLICK, Uwe. Introdução à metodologia de pesquisa: um guia para iniciantes. Tradução de Magda Lopes. Porto Alegre: Penso, 2013.
GOODENOUGH, Ward H. Yankee kinship terminology: A problem in componential analysis. American Anthropologist, v. 67, n. 5, p. 259-287, 1965.
MAGALHÃES, Ione.; MARTINS, Ana. Raquel.; RESENDE, Viviane. de Melo. Análise do discurso crítica: um método de pesquisa qualitativa. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2017.
MASSUTI, Mônica. Surdos, Cultura e Sociedade. Porto Alegre: Editora Artmed, 2007.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
NEIGRAMES, Wellington Pereira; TIMBANE, Ademar Antônio. Discutindo metodologias de ensino de Libras como segunda língua no ensino superior. Revista de Estudos Acadêmicos de Letras, Unemat, v. 11, n. 1, jul. 2018.
NUNES, Maria Socorro Sousa. Metodologia universitária em 3 tempos. São Cristóvão, SE: Editora UFS, 2021.
ORSI, Vivian. Tabu e preconceito linguístico. ReVEL, v. 9, n. 17, 2011.
PEDROSA, Claudia Emília Faria. Estudos críticos do discurso decoloniais do Sul do Sul: teorias e práticas com a Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso. Volume I: teoria. Foz do Iguaçu, PR: Claec Editora, 2024.
PEREIRA, Maria Regina. Comunidades Surdas: uma introdução. Curitiba: Editora CRV, 2013.
PEREIRA JR., Luiz Carlos. Amor e ódio na mesma frase, Revista Língua Portuguesa, São Paulo, Segmento, especial Sexo e Linguagem, p. 6-9, 2006.
PRETI, Dino. A gíria e outros temas. São Paulo: T. A. Queiroz/USP, 1984.
PROVANOV, Cláudia Cristina; FREITAS, Elisângela Cristina. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.
QUADROS GOMES, A. A força do palavrão. Divulgando Linguística - DLF da UFRJ, 2022.
SANTOS, Simone Aparecida dos. Intérpretes de Língua de Sinais: um estudo sobre as identidades. 2006. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.
TARTAMELLA, Vito. Parolacce. Perché le diciamo, che cosa significano, quali effetti hanno. Milano: BUR, 2006.
VAN DIJK, Teun A. Cognição, discurso e interação. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2008.
VANEIGEM, Raoul. Nada é sagrado, tudo pode ser dito: reflexões sobre a liberdade de expressão. (Trad. de Marcos Marcionilo). São Paulo: Parábola, 2004.
Copyright (c) 2026 Caletroscópio

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
A Revista Caletroscópio deterá, por um período de três anos, os direitos autorais de todos os trabalhos aceitos para publicação: artigos, resenhas, traduções, etc. Fora essa restrição, os trabalhos estão licenciados com a Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Após esse tempo, caso o autor publique o texto, ainda que sejam feitas alterações no original, solicita-se que seja incluída, em nota de rodapé, a informação de que uma versão anterior do artigo foi publicada na Revista Caletroscópio, apresentando as devidas referências.