Tabus linguísticos e a Pragmática de Libras

avanços e desafios na Sociolinguística da Língua de Sinais Brasileira

Palavras-chave: Libras, Língua Portuguesa, Surdos, Sociolinguística, Tabus linguístico

Resumo

Este artigo destaca a relevância de compreender os mecanismos linguísticos envolvidos na Língua Portuguesa e na Língua de Sinais Brasileira (Libras), com foco nas implicações Sociolinguísticas e na inclusão da pessoa Surda. A partir de uma abordagem qualitativo-interpretativista, analisa-se como ocorre os termos tabu, considerando fatores sociais, discursivos, emocionais e identitários. A pesquisa evidencia que a tradução desses termos, muitas vezes estigmatizados, é essencial para fortalecer a expressividade e a representatividade cultural da Comunidade Surda. Além disso, ressalta-se que a construção de um vocabulário mais completo e inclusivo em Libras depende da incorporação crítica desses elementos no ensino da língua. O estudo defende que a superação de tabus linguísticos contribui para práticas linguísticas mais realistas e respeitosas, promovendo a inclusão e o diálogo entre diferentes comunidades linguísticas. A complexidade dessa questão, aliada à escassez de pesquisas linguísticas sobre o uso de termos tabus na Libras, destaca a necessidade urgente de investigações mais aprofundadas e específicas que explorem as dinâmicas Sociolinguísticas envolvidas. Este estudo propõe, assim, um avanço nas discussões sobre a pragmática de Libras, sugerindo que a língua de sinais seja mapeada de maneira mais abrangente e crítica, especialmente no que tange aos termos tabu e à sua relação com o contexto sociocultural da comunidade Surda. Conclui-se que é urgente ampliar as investigações sobre as interfaces Sociolinguísticas entre a Libras e o Português.

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Biografia do Autor

Neemias Gomes Santana , Universidade de Brasília

Professor do Magistério Superior do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas - LIP do Instituto de Letras - IL da Universidade de Brasília - UnB. Mestre em Linguística, Análise Crítica do Discurso pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Doutorando em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB). Pesquisador do Laboratório Núcleo Varlibras; pesquisador do grupo de pesquisa de Estudo em Linguística da Libras GEPLIBRAS; pesquisador do grupo de pesquisa Grupo de Estudo e Pesquisa da Saúde em Libras – GEPSLIBRAS.

Gláucio Castro Júnior , Universidade de Brasília

Professor do Magistério Superior do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas - LIP do Instituto de Letras - IL da Universidade de Brasília - UnB. Mestre e Doutor em Linguística. Coordenador do Núcleo de Estudo e Pesquisa da Variação Linguística da Libras (Laboratório Núcleo Varlibras) da Universidade de Brasília - UnB. Líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística da Libras - GEPLIBRAS (CNPq/UnB), líder do Grupo de Estudo e Pesquisa da Saúde em Libras – GEPSLIBRAS.

Daniela Prometi , Universidade de Brasília

Professora do Magistério Superior do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP do Instituto de Letras - IL da Universidade de Brasília - UnB. Licenciada em Letras-Libras, Mestre e Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília - UnB. Vice-líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística da Libras - GEPLIBRAS (CNPq/UnB). Pesquisadora do grupo de pesquisa Grupo de Estudo e Pesquisa da Saúde em Libras – GEPSLIBRAS. Vice-coordenadora do Núcleo de Estudo e Pesquisa da Variação Linguística da Libras (Laboratório Núcleo Varlibras) da Universidade de Brasília - UnB.

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Publicado
2026-02-03