O Campo de Batalha Simbólico do Woke

Mídia, Publicidade e Poder

  • Vitor Emanuel Gripp GIF Labs
Palavras-chave: woke; commodification; advertising; identity; subjectivity; surveillance

Resumo

O artigo analisa a circulação contemporânea do termo “woke” e sua metamorfose de gesto de despertar antirracista em repertório mercadológico. A partir de uma genealogia conceitual e de três estudos de caso (Bud Light, Jaguar e American Eagle), investiga como campanhas publicitárias reconfiguram identidades, transformando diferenças em valor simbólico e simulacro. Articula-se Foucault, Deleuze, Han e Baudrillard para mostrar como a diferença pode tanto abrir linhas de fuga quanto ser reabsorvida pela lógica do capital, operando como dispositivo de poder que modula subjetividades pela positividade e visibilidade. O ensaio conclui que a política da identidade, ao entrar no mercado, corre o risco de se tornar superfície de consumo, esvaziando seu potencial emancipatório.

Referências

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Publicado
2026-02-01
Como Citar
Gripp, V. E. (2026). O Campo de Batalha Simbólico do Woke: Mídia, Publicidade e Poder. Virtualia Journal, 1(01). Recuperado de https://periodicos.ufop.br/virtualia-journal/article/view/8262