Aula de leitura: da materialidade semiótica do texto a imaginação simbólica

Palavras-chave: : Leitura; Imaginação; Linguagem simbólica.

Resumo

Este texto é fruto de uma pesquisa que abordou a semiótica do texto multicultural nas aulas de leitura do Ensino Médio-EJA, cuja compreensão de texto ocorre como produto e materialidade de linguagem multimodal. Esse entendimento acontece no campo da linguagem simbólica, onde a imaginação emerge como fenômeno psíquico essencial ao desenvolvimento contínuo do ser, por meio da leitura. Nesse contexto, frente a problemática de um mundo contemporâneo que valoriza o pensamento objetivo em detrimento ao pensamento subjetivo, imaginativo, o estudo objetiva defender a imaginação como função da mente humana, potencializadora do ato de leitura, para além do verbal, meio de produção da significação simbólica. Assim, dar-se a escolha por textos, linguagens, mediadores da aula de leitura, refletindo a realidade dos sujeitos de uma turma do Ensino Médio-EJA; por acreditar-se que o processo de ensino aprendizagem deve partir de algum ponto de identificação do aprendiz, em busca do lugar desejado. O estudo ancora-se na psicologia analítica e nos estudos antropológicos do imaginário, no cerne de uma Linguística Antropológica (RODRIGUES, 2011). Constatou-se que o mundo subjetivo dos educandos é um caminho fértil para a escolha de linguagens, como mediadoras das aulas de leitura, visto que potencializaram experiências de vida com alta carga valorativa, permitiram a reflexão, aprimoramento e promoção do desenvolvimento individual e de grupo.      

Biografia do Autor

Laécio Fernandes de Oliveira, Universidade Estadual da Paraíba

Mestre pelo Programa Profissional em Formação de Professores da Universidade Estadual da Paraíba, linha de pesquisa Linguagem, Cultura e formação docente; Professor efetivo da Rede Estadual de Educação do Estado da Paraíba e membro do grupo de pesquisa TEOSSENO - Teorias do Sentido: discursos e significações, liderado pelo Professor Dr. Linduarte Pereira Rodrigues (UEPB). 

Linduarte Pereira Rodrigues , Universidade Estadual da Paraíba

Doutorado em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba - Campus I (2011); Professor e Membro do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de Licenciatura em Letras (Língua Portuguesa) do Departamento de Letras e Artes (DLA), além do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores (PPGFP) da Universidade Estadual da Paraíba - Campus I, e líder do grupo de pesquisas TEOSSENO - Teorias do Sentido: discursos e significações.

Referências

BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. Tradução: Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1988. P. 1-27.

BAUMAN, Zygmunt. Ensaios sobre o conceito de cultura. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

BORTONI-RICARDO, Stella Maris. O professor pesquisador: introdução a pesquisa qualitativa. São Paulo: Parábola, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Trabalhando com a educação de jovens e adultos: alunas e alunos da EJA. Brasília: MEC, 2006.

BRASIL, Ministério da Educação/MEC. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC; SEB, 2018.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2000.

CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. 32 ed. São Paulo: Palas Athena, 2017.

DURAND. Gilbert. As estruturas antropológicas do imaginário: introdução à arquetipologia geral. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

FERRAREZI JR., Celso; CARVALHO, Robson Santos de. De alunos a leitores: o ensino de leitura na educação básica. 1. ed. – São Paulo: Parábola Editorial, 2017.

GALVÃO, Lúcia Helena. Imaginação: o poder da criação do ser humano. Palestra do Canal Nova Acrópole, Organização internacional, 2015. (1h32minutos28seg.). Disponível em: . Acesso em 29 de março de 2021.

GERALDI, João Wanderley. A leitura e suas múltiplas faces. In: GERALDI, João Wanderley. Aula como acontecimento. 2 ed. São Carlos: Pedro & João, 2015, p. 103-112.

GUIMARÃES, Eduardo. Os limites do sentido: um estudo histórico e enunciativo da linguagem. 2 ed., Campinas, SP: Pontes, 2002.

JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. 3 ed. Rio de Janeiro: HarperCollins, Brasil, 2016.

JUNG, Carl G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 11 ed., Petrópolis-RJ: Vozes, 2014.

KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2011.

LÉVI-STRAUSS, Claude. Mito e significado. 8. ed., Lisboa – Portugal: Edições 70, LDA, 2018.

MARCUSCHI, L. A. Compreensão de texto: algumas reflexões. In: DIONÍSIO, A. P.; BEZERRA, M. A. (Orgs.). O livro didático de português: múltiplos olhares. Rio de Janeiro: Lucerna, p.46-59.

MOREIRA, José Antônio; Schlemmer. Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. Revista UFG – Goiás, v. 20, p. 01-35, 2020.

OLIVEIRA, Laécio F. de; RODRIGUES. L. P. A leitura nas culturas híbridas: ação de linguagem e multimodalidade. In: LENDL, Aluizio. SOUZA, Fábio Marques de (Orgs). Ensino de línguas na contemporaneidade: multimodalidade e tecnologias digitais. São Paulo: Mentes Abertas, 2019, p. 33-50.

OLIVEIRA, Laécio F. de; RODRIGUES. L. P. Leitura: um lugar atravessado pela historicidade da linguagem. Revista do GELNE, v. 22, n. 2, p. 202-214, out., 2020.

PIERCE. Charles S. Semiótica. Trad. José Teixeira Coelho Neto. São Paulo: Perspectiva, 2000.

PITTA, Danielle Perin Rocha. Iniciação à teoria do imaginário de Gilbert Durand. Rio de Janeiro: Atlântica, 2005.

RODRIGUES. L. P. Cultura clássica, cultura vulgar: considerações acerca do ideal de autor, leitor e leitura. Revista Sociopoética – Campina Grande/PB, ISSN 1980 7856 - Volume 1 Número 3 - Janeiro a julho de 2009.

RODRIGUES. L. P. Vozes do fim dos tempos: profecias em escrituras midiáticas. 2011, 432 f.,
(tese de doutorado - Programa de Pós-Graduação em Linguística/Semiótica), Universidade Federal da Paraíba-UFPB, João Pessoa.

SARTRE, Jean-Paul. O Imaginário: Psicologia fenomenológica da imaginação. 1. ed., Petrópolis – RJ: Editora Vozes, 2019.
Publicado
2021-12-29