A tragédia da memória absoluta
uma análise conceitual de Funes, O Memorioso, de Jorge Luis Borges
Resumo
Este artigo analisa o conceito de memória no conto Funes, O Memorioso, de Jorge Luis Borges, por meio da história dos conceitos, conforme proposta por Reinhart Koselleck. O objetivo é explorar as dualidades apresentadas na obra — memória funcional versus memória absoluta, esquecimento como limitação versus necessidade — e conectá-las aos debates filosóficos e históricos sobre o tema. A metodologia combina a análise textual do conto com a mobilização de autores como Nietzsche, Paul Ricoeur e Koselleck, além do apoio da neurociência e da consideração do contexto pessoal, histórico e cultural da produção de Borges. Os resultados evidenciam que Borges constrói duas representações contrastantes da memória: Funes, cuja memória total o condena à fragmentação e à impossibilidade de abstração, e o narrador, cuja memória limitada reflete a funcionalidade humana de esquecer para organizar e interpretar o mundo. Essa contraposição dialoga com a crítica de Nietzsche à memória desvinculada da vida prática e com a visão de Ricoeur sobre o esquecimento como um mecanismo essencial para a saúde cognitiva e emocional. Conclui-se que Borges, ao transformar a memória em um conceito paradoxal, questiona os limites do conhecimento e destaca o papel fundamental do esquecimento na construção do significado.
Copyright (c) 2025 Carolina Morvillo Lima

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