O olhar de Antígona através dos tempos

Tragédia, de Quatroloscinco Teatro do Comum

Palavras-chave: reescritas de Antígona, Didi-Huberman, teatro político, imagem crítica

Resumo

Ao longo de mais de dois mil e quinhentos anos, a personagem trágica Antígona nos lança
o seu olhar sobre as leis positivas dos homens e sobre o direito fundamental de enterrar o cadáver
de seu irmão. Cada nova aparição da personagem traz questionamentos sobre o seu papel e a sua
insistência política frente ao contexto em que é reencenada. Este artigo apresenta uma leitura crítica
da dramaturgia da peça Tragédia, de Quatroloscinco (2019), a partir sobretudo da teoria de Georges
Didi-Huberman acerca da imagem crítica, com o objetivo de analisar de que forma o grupo relê essa
personagem clássica e se insere em uma linhagem de reescritas do mito, relacionando-o ao contexto
político do país. Para isso, propomos quatro questões centrais sobre a personagem na peça: de onde
vem esse olhar de Antígona? O que ela observa? O que ela nos diz? A que nos leva esse olhar? A
conclusão desta análise é de que o grupo, dessa forma, convoca o público a questionar o olhar e seus
pontos de vista sobre o contexto político atual no Brasil, apresentando uma Antígona que insiste em
aparecer, apesar de tantas vezes morta.

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Biografia do Autor

Flávia Almeida Vieira Resende, UFMG

Pós-doutoranda, Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-graduação em Estudos Literários (Pós-Lit), Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

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Publicado
2025-06-05
Como Citar
ALMEIDA VIEIRA RESENDE, F. O olhar de Antígona através dos tempos: Tragédia, de Quatroloscinco Teatro do Comum. Ephemera: Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, v. 8, n. 15, 5 jun. 2025.