O olhar de Antígona através dos tempos
Tragédia, de Quatroloscinco Teatro do Comum
Resumo
Ao longo de mais de dois mil e quinhentos anos, a personagem trágica Antígona nos lança
o seu olhar sobre as leis positivas dos homens e sobre o direito fundamental de enterrar o cadáver
de seu irmão. Cada nova aparição da personagem traz questionamentos sobre o seu papel e a sua
insistência política frente ao contexto em que é reencenada. Este artigo apresenta uma leitura crítica
da dramaturgia da peça Tragédia, de Quatroloscinco (2019), a partir sobretudo da teoria de Georges
Didi-Huberman acerca da imagem crítica, com o objetivo de analisar de que forma o grupo relê essa
personagem clássica e se insere em uma linhagem de reescritas do mito, relacionando-o ao contexto
político do país. Para isso, propomos quatro questões centrais sobre a personagem na peça: de onde
vem esse olhar de Antígona? O que ela observa? O que ela nos diz? A que nos leva esse olhar? A
conclusão desta análise é de que o grupo, dessa forma, convoca o público a questionar o olhar e seus
pontos de vista sobre o contexto político atual no Brasil, apresentando uma Antígona que insiste em
aparecer, apesar de tantas vezes morta.
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Referências
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