Da Grécia Antiga ao Novo Mundo
Ceticismo(s), Crise Europeia e a Invenção das Américas
Resumo
O presente artigo investiga o papel do ceticismo filosófico na formação da modernidade europeia, articulando suas raízes na Grécia Antiga com os processos históricos que marcaram a Europa entre os séculos XI a XVII. A partir da análise das crises estruturais medievais — guerras, pestes, fome, declínio feudal, reformas religiosas e instabilidade política — demonstra‑se como a dúvida reaparece como atitude filosófica e como resposta às tensões sociais, culturais e epistêmicas do período. Em seguida, examina‑se a relação entre o ceticismo e as grandes navegações, destacando como a metáfora do “ovo de Colombo” sintetiza tanto a ruptura com paradigmas medievais quanto a lógica de apropriação que caracterizou a expansão europeia. O encontro com os povos indígenas das Américas produziu uma crise epistemológica que abalou o imaginário europeu e contribuiu para a reconfiguração do ceticismo moderno. Nesse contexto, a obra de Montaigne (2018) e do prof. Danilo Marcondes (2019) e Popkin (2000) são nosso ponto de partida e também analisadas como expressão privilegiada dessa crítica, evidenciando a relatividade dos costumes e a violência das narrativas coloniais. Conclui‑se que o ceticismo, longe de ser apenas uma corrente filosófica abstrata, constitui elemento fundamental para compreender as tensões entre modernidade, colonialidade e invenção das Américas.
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