Podemos Ensinar Moralidade às Máquinas?
Inteligência Artificial e Ética em Debate
Resumo
Nessa resenha é apresentada, analisada e discutida criticamente a obra “Podemos Ensinar Moralidade às Máquinas? – Inteligência Artificial e Ética em Debate”, publicada em 2025 pela editora Dialética e escrita por Flávia Braga de Azambuja, doutora em filosofia pela UFPel. Derivada da tese de doutorado da autora, o escrito procura averiguar se uma Inteligência Artificial pode tomar decisões morais, o que implicaria uma compreensão de conceitos como certo e errado, permitido e proibido, bem e mal. Para tanto, Azambuja investiga a possibilidade de representar, através da lógica modal, o abstrato conhecimento moral. O livro se destaca pelo teor interdisciplinar, pois lida com temas filosóficos, tecnológicos e inclusive psicológicos. O escrito é dividido em cinco segmentos, cada um com uma estrutura interna bem organizada e, em muitos casos, autossuficiente: a primeira parte introduz o campo da Inteligência Artificial e conceitos como Machine Learning, Deep-learning, Conexionismo e relacionados. Também na parte um, Azambuja disserta sobre a filosofia moral consequencialista e utilitarista de John Stuart Mill, bem como a abordagem construtivista social de Jesse Prinz. Na segunda parte, a obra discute a lógica mental, os modelos mentais e o fenômeno do “viés da crença”. O capítulo três é dedicado a lógica modal, um tipo de lógica formal não-monotônica que auxilia a capturar relações de possibilidade, necessidade e crença. Na quarta parte, as reflexões anteriores sobre lógica são utilizadas para lidar com três dilemas morais, que envolvem questões de saúde pública, liberdade individual e segurança nacional. A última parte do livro busca responder ao questionamento inicial, finalizando o argumento construído ao longo de toda a obra. “Podemos Ensinar Moralidade às Máquinas?” é louvável como obra introdutória e acessível. Todavia, por razões de cunho estrutural e metodológico, existem algumas insuficiências no tratamento dado ao assunto da moralidade, que perde espaço para a lógica e a psicologia cognitiva. A obra, portanto, se ocupa em demasia da filosofia teórica em detrimento da filosofia prática, o que se traduz numa resposta final que não é plenamente satisfatória diante do questionamento iniciado, considerando a amplitude de perspectivas e o intenso debate que é indissociável da filosofia moral.
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