Do giro à gira
Poéticas e pedagogias corporificadas
Resumo
Criar poéticas e pedagogias relacionais e engajadas, corporificadas, no campo do teatro, se
tornou uma (auto)provocação do autor, diante das demandas conjunturais de um mundo fraturado,
no período que compreende a pandemia que acometeu o mundo, desde 2020, aos tempos em busca da
superação de seus efeitos. Reconhece-se como uma urgência, nos mais diversos contextos formativos e de
criação, pensar e inventar estratégias coletivas, no plano da ação, que considerem as transformações nos
modos de viver, as maneiras como as relações vêm sendo construídas e a demanda de subversão de formas
dominantes, hegemônicas, de pensar e criar, de produzir conhecimento. Assim, este estudo compõe
uma cartografia que, em uma abordagem autoetnográfica, mapeia alguns princípios e procedimentos
que atravessam o percurso do autor, no sentido de investigar e criar poéticas e pedagogias teatrais
atravessadas por arranjos dissidentes, composições e processos criativos e pedagógicos descoloniais e
decoloniais (Walsh, 2017). Abordagens presentes em conceitos como “corazonar” (Santos, 2021), “giro”
e “gira” (Rufino, 2021), para pensar outras epistemologias, e o pensamento em torno de uma “pedagogia
engajada” (hooks, 2017) são articuladas na proposta do autor, enquanto artista-professor-pesquisador,
em prol de experiências relacionais e contextualizadas, frente à emergência de outras práticas e outros
modos de coexistência e criação, na arte e na vida.
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Referências
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