Anotações sobre as raízes estéticas do fascismo
Resumo
O artigo pretende desdobrar a hipótese de Peter Sloterdijk, em “Crítica da Razão Cínica”,
segundo a qual a emergência do fascismo se deve ao estabelecimento de uma ética cínica na cultura
– um cinismo moderno, filho bastardo do combativo cinismo grego. Para tanto, será necessário
resgatar a figura de Diógenes, o filósofo antigo, sua relação com o corpo social e sua ética da “fala
franca”. Em seguida, pretendemos delinear o que seria uma estética do fascismo a partir de suas
bases cínicas, adaptadas à lógica social – a exemplo do personagem Peachum, de Bertolt Brecht, e
do Sobrinho, de Denis Diderot – para, enfim, aproximarmos tal estética ao modo de governar do
fascismo.
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Referências
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