Anotações sobre as raízes estéticas do fascismo

Palavras-chave: cinismo, trágico, paródia, fascismo

Resumo

O artigo pretende desdobrar a hipótese de Peter Sloterdijk, em “Crítica da Razão Cínica”,
segundo a qual a emergência do fascismo se deve ao estabelecimento de uma ética cínica na cultura
– um cinismo moderno, filho bastardo do combativo cinismo grego. Para tanto, será necessário
resgatar a figura de Diógenes, o filósofo antigo, sua relação com o corpo social e sua ética da “fala
franca”. Em seguida, pretendemos delinear o que seria uma estética do fascismo a partir de suas
bases cínicas, adaptadas à lógica social – a exemplo do personagem Peachum, de Bertolt Brecht, e
do Sobrinho, de Denis Diderot – para, enfim, aproximarmos tal estética ao modo de governar do
fascismo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

João Guilherme Paiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutor em Literatura Comparada no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Referências

AGAMBEN, Giorgio. Estado de exceção. Tradução de Iraci Poleti. São Paulo: Boitempo, 2004.

AGAMBEN, Giorgio. O homem sem conteúdo. Tradução de Cláudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012.

ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Paulo Pinheiro. São Paulo: Ed. 34, 2015.

BENJAMIN, Walter. O anjo da história. Tradução de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.

BRECHT, Bertolt. A ópera dos três vinténs. In: BRECHT, Bertolt. Teatro completo. v. 3. Tradução de Wolfgang Bader, Marcos Santa e Wira Selanski. São Paulo: Paz e Terra, 1988.

BÜRGER, Peter. Teoria da vanguarda. Tradução de José Antunes. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

CORTEZ, Beatriz. Estética del cinismo: pasión y desencanto en la literatura centroamericana de posguerra. Ciudad de Guatemala: F&G Libros, 2010.

DIDEROT, Denis. O Sobrinho de Rameau. Tradução de Daniel Garroux. São Paulo: Ed. Unesp, 2019.

FOUCAULT, Michel. A coragem da verdade: o governo de si e dos outros II: curso no Collège de France. trad. Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

GROS, Frédéric. A parrhesia em Foucault (1982-1984). In: GROS, Frédéric. Foucault: a coragem da verdade. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.

HAN, Byung-Chul. Sociedade da transparência. Tradução de Enio Paulo Gianchini. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.

HUTCHEON, Linda. Uma teoria da paródia: ensinamentos das formas de arte do século XX. trad. Teresa Pérez. Lisboa: Edições 70, 1989.

MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. Tradução de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013.

NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. Tradução de Jacó Guinsburg. São Paulo: Cia das Letras, 2003.

SAFATLE, Vladimir. Diógenes e a lanterna de Diderot. In: SAFATLE, Vladimir. Cinismo e falência da crítica. São Paulo: Boitempo, 2008.

SHEA, Louisa. The Cynic Enlightenment: Diogenes in the Salon. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 2010.

SLOTERDIJK, Peter. Crítica da razão cínica. Tradução de Marco Casanova et al. São Paulo: Estação liberdade, 2012.

SZONDI, Peter. Ensaio sobre o trágico. Tradução de Pedro Süssekind. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

Publicado
2025-03-24
Como Citar
PAIVA, J. G. Anotações sobre as raízes estéticas do fascismo. Ephemera: Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, v. 8, n. 15, 24 mar. 2025.