Memórias de uma palhaça que ousou rir
Resumen
Este artigo autobiográfico analisa a trajetória de uma palhaça-mãe-pesquisadora, mergulhando nos desafios interseccionais da palhaçaria feminina no Brasil. Através de três episódios marcantes - assédio durante uma intervenção (2006), agressão misógina vindo da plateia durante uma apresentação (2024) e comparações em duplas de palhaçaria (2025) - revela como o corpo cômico feminino negocia constantemente com estereótipos de gênero, maternidade e violência estrutural. Utilizando referências teóricas feministas (hooks, Iaconelli, Crenshaw) e dados sobre feminicídio (FBSP, 2023), demonstra que a palhaçaria, território historicamente masculino, impõe às mulheres uma dupla jornada: a exigência artística e a cobrança social. A narrativa expõe desde a objetificação do corpo em cena até a solidão da maternidade artística, passando pela invisibilização acadêmica de pesquisadoras-mães. O estudo destaca a resistência pelo riso como ato político, propondo uma releitura do grotesco feminino como ferramenta de desestabilização do patriarcado. Por fim, celebra a potência transformadora da palhaçaria como linguagem de insurgência, capaz de revelar as assimetrias de gênero que persistem mesmo sob o nariz vermelho.
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Citas
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