Arvorar
por um enraizamento afropindorâmico do corpo-território
Resumo
Este artigo propõe o verbo arvorar como tradução conceitual do termo reclaim, tal como mobilizado por Isabelle Stengers, argumentando que esta escolha abre caminhos para uma tradução cosmopolítica enraizada em perspectivas ameríndias e afrodiaspóricas. A partir de um diálogo com Bruno Latour, Donna Haraway, Luiza de Aguiar Borges e Guilherme Gontijo Flores, discute-se a tradução como prática insurgente, marcada por equívoco produtivo, indeterminação e contato. A proposta de arvorar convoca a imaginação vegetal, a performatividade ritual e a visibilidade insurgente como operadores críticos que reconfiguram a noção moderna de resistência. Trata-se de uma tradução-feitiço, uma palavra-onça, uma prática de mundo que resiste à neutralidade e ao apagamento, enraizando-se na potência de mundos plurais que se cruzam e se transformam mutuamente. No que tange às artes da cena, este texto é o gesto-semente de um programa performativo em devir, brotamento (rizomático) e (des)(re)territorialização.
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