A função social da lógica do absurdo na comédia
aproximações entre “O Riso” de Bergson e Ubu Rei de Jarry
Resumo
Os paralelos entre os argumentos apresentados em “O Riso” de Bergson e os recursos estéticos apresentados quatro anos antes em Ubu Rei, de seu ex-aluno Jarry, são notáveis. Este artigo analisa tais aproximações para indicar a função social do cômico. São analisados os recursos estéticos usados na comédia, como a artificialidade, a impessoalidade, a generalidade, o exagero, a repetição, a fixação e a mecanização, para isentar de peso existencial certos aspectos sociais que necessitam correção, possibilitando assim uma reflexão moral indireta. São analisadas também as influências do modo de operação de brincadeiras infantis, como marionetes, boneco de molas e bola de neve, no modo de apresentação dos acontecimentos na dramaturgia cômica a fim de propiciar o reconhecimento das inadequações de comportamento e de caráter de modo leve e palatável. O argumento central é de que o riso tem uma função social, crítica e corretiva e é disparado por um modo de operação intelectual absurdo, apartado da razão e próximo da imaginação e do sonho, que se mostra fundamental para elaboração de importantes questões que a sociedade se empenha em negar.
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