AKIRA: Hibridismo do Humano e o Retorno do Ciborgue
Resumo
Este presente artigo discute a obra japonesa Akira (1988) como expressão simbólica do hibridismo humano-máquina e da crise do humanismo moderno. A partir do devir-ciborgue de Tetsuo Shima, investiga-se a dissolução das fronteiras entre o orgânico e o tecnológico, articulando conceitos de Donna Haraway, Bruno Latour, Deleuze e Guattari, Althusser, Nick Land e Mark Fisher. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem teórico-conceitual e analítica, examinando o filme como dispositivo crítico das transformações ontológicas e políticas do sujeito na modernidade. O estudo evidencia como a figura do ciborgue desestabiliza dicotomias centrais — humano/não-humano, natureza/cultura, técnica/corpo — e opera como metáfora da aceleração capitalista e da desterritorialização pós-humana. Conclui-se que Akira propõe uma reconfiguração do humano através da falência do projeto moderno e da emergência de novas sensibilidades coletivas e híbridas.
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