A Crítica de Schlick ao conhecimento sintético a priori de Kant

  • LUCAS MURATA UEL

Resumen

O artigo analisa a concepção kantiana de juízos sintéticos a priori e as críticas de Moritz Schlick, da perspectiva do positivismo lógico. Para Kant, tais juízos ampliam o conhecimento de modo necessário e universal, fundamentando matemática, geometria, física e a própria possibilidade da metafísica como ciência. Eles decorrem de formas puras da sensibilidade (espaço e tempo) e de categorias do entendimento, como causalidade. Schlick rejeita essa posição ao mostrar que: (i) a geometria depende de axiomas e convenções e é reconfigurada por geometrias não euclidianas e pela relatividade; (ii) a aritmética é analítica, baseada em definições e regras, não em intuições temporais; (iii) a causalidade é hipótese empírica, não categoria a priori. Conclui-se que, para Schlick, não existem juízos sintéticos a priori, de modo que a metafísica não pode reivindicar estatuto científico.

Citas

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Publicado
2026-03-06
Cómo citar
MURATA, L. (2026). A Crítica de Schlick ao conhecimento sintético a priori de Kant. Virtualia Journal, 1, 141-158. https://doi.org/10.5281/v.j.v1i.8326
Sección
ARTIGOS