Weitz e o Argumento do Conceito Aberto
Uma resposta à acusação de falácia de Carroll
Resumo
O primeiro objetivo do presente artigo é reconstruir o argumento do conceito aberto, de Morris Weitz, em defesa da tese de que é impossível definir o conceito de arte. A interpretação apresentada tem duas consequências importantes: (a) Weitz não está realmente comprometido com a afirmação controversa, por vezes atribuída a ele, de que apenas conceitos abertos são compatíveis com manifestações de criatividade; (b) o argumento do conceito aberto não pressupõe o modelo das semelhanças de família, de modo que as objeções ao último, mesmo que corretas, não refutam o primeiro. O segundo objetivo é responder à objeção de Carroll de que o argumento do conceito aberto seria uma instância de falácia do equívoco. Argumentamos que a crítica de Carroll se apoia em uma reconstrução possível, porém implausível, da proposta de Weitz. Por um lado, Carroll introduz pelo menos duas premissas desnecessárias no argumento de Weitz. A retirada das premissas não apenas evitaria a falácia, mas também resultaria numa leitura mais fiel ao texto de Weitz. Por outro lado, a reconstrução proposta do argumento do conceito aberto é mais caridosa do que a de Carroll, e também mais fiel à estratégia argumentativa de Weitz. Concluímos que não há boas razões para aceitarmos que o argumento do conceito aberto seja um caso de falácia do equívoco.
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