Confessional, de Tennessee Williams
uma anatomia da exclusão na sociedade estadunidense
Resumo
Este artigo examina a peça em um ato Confessional, de Tennessee Williams, compreendendo-a como uma dramaturgia que problematiza as contradições sociais e culturais no período de inflexão histórica dos Estados Unidos entre os anos 1960 e 1970. Para tanto, adota-se uma análise dramatúrgica baseada no método dialético, que permite articular forma e conteúdo no exame de obras artísticas. A pesquisa parte do problema de como Williams reelabora a cena teatral em diálogo com a crise do American Dream, contrapõe essa perspectiva à leitura de que suas peças finais seriam apenas fragmentárias ou decadentes e busca alcançar uma síntese que situe a peça como expressão estética de um momento histórico marcado por transformações políticas e culturais. O objetivo é, assim, investigar de que modo os recursos estruturais da peça - o espaço do bar, os solilóquios confessionais, a fragmentação narrativa - podem ser compreendidos enquanto fenômenos sociais e históricos, desvelando contradições entre exclusão, memória e resistência. Como conclusão, o artigo demonstra que Confessional representa uma virada estética e política na trajetória de Tennessee Williams, ao transformar a margem social em espaço de pensamento crítico. A peça afirma o teatro como forma de resistência e de enfrentamento das contradições históricas do capitalismo.
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