Confessional, de Tennessee Williams

uma anatomia da exclusão na sociedade estadunidense

Resumen

Este artigo examina a peça em um ato Confessional, de Tennessee Williams, compreendendo-a como uma dramaturgia que problematiza as contradições sociais e culturais no período de inflexão histórica dos Estados Unidos entre os anos 1960 e 1970. Para tanto, adota-se uma análise dramatúrgica baseada no método dialético, que permite articular forma e conteúdo no exame de obras artísticas. A pesquisa parte do problema de como Williams reelabora a cena teatral em diálogo com a crise do American Dream, contrapõe essa perspectiva à leitura de que suas peças finais seriam apenas fragmentárias ou decadentes e busca alcançar uma síntese que situe a peça como expressão estética de um momento histórico marcado por transformações políticas e culturais. O objetivo é, assim, investigar de que modo os recursos estruturais da peça - o espaço do bar, os solilóquios confessionais, a fragmentação narrativa - podem ser compreendidos enquanto fenômenos sociais e históricos, desvelando contradições entre exclusão, memória e resistência. Como conclusão, o artigo demonstra que Confessional representa uma virada estética e política na trajetória de Tennessee Williams, ao transformar a margem social em espaço de pensamento crítico. A peça afirma o teatro como forma de resistência e de enfrentamento das contradições históricas do capitalismo.

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Biografía del autor/a

Luis Marcio Arnaut de Toledo, Universidade de São Paulo

Doutor em Artes pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Estágio pós-doutoral no Institituo de Artes da Universidade Estadual de Campinas (IA-UNICAMP).

Especialização em Teatro Educação na Faculdade Paulista de Artes (FPA).

Mestre e especialista em Engenharia.

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Publicado
2025-10-23
Cómo citar
TOLEDO, L. M. A. DE. Confessional, de Tennessee Williams: uma anatomia da exclusão na sociedade estadunidense. Ephemera: Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, v. 9, n. 17, 23 oct. 2025.