Ensinar o que não se aprendeu

a contradição silenciosa do Ensino de Arte

Resumen

Este artigo investiga a persistência da polivalência no trabalho dos professores de Arte, especialmente aqueles formados em Teatro, que acabam lecionando conteúdos de outras linguagens artísticas - como Artes Visuais, Música e Dança - nas escolas públicas de Minas Gerais. A pesquisa surgiu a partir da disciplina de Estágio em Teatro da UFMG e envolveu entrevistas com docentes, observações de práticas pedagógicas e análise dos Referenciais Curriculares estaduais. Os resultados apontam que, embora os documentos curriculares não exijam que o professor ensine linguagens fora de sua formação, há uma cultura escolar que perpetua essa prática. Cinco fatores principais explicam essa realidade: orientações da direção escolar, adaptabilidade dos conteúdos à estrutura física e cultural da escola, influência da forma escolar, alinhamento com o ENEM e uso do livro didático. Conclui-se que a polivalência não é uma exigência legal, mas sim uma construção histórica e institucional que desafia a autonomia docente e a qualidade do ensino de Arte. O estudo propõe uma reflexão sobre a formação acadêmico-profissional dos professores e a necessidade de concursos públicos coerentes com suas áreas de especialização, visando a garantir o direito dos estudantes ao acesso pleno às quatro linguagens artísticas.

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Biografía del autor/a

Ricardo Carvalho de Figueiredo, Universidade Federal de Minas Gerais

Professor do curso de graduação em Teatro e do Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes, Departamento de Artes Cênicas, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Jardel Eloi da Silva, Universidade Federal de Minas Gerais

mestrando do Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

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Publicado
2026-01-20
Cómo citar
FIGUEIREDO, R. C. DE; ELOI DA SILVA, J. Ensinar o que não se aprendeu: a contradição silenciosa do Ensino de Arte. Ephemera: Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, v. 9, n. 17, 20 ene. 2026.