Ensinar o que não se aprendeu
a contradição silenciosa do Ensino de Arte
Resumo
Este artigo investiga a persistência da polivalência no trabalho dos professores de Arte, especialmente aqueles formados em Teatro, que acabam lecionando conteúdos de outras linguagens artísticas - como Artes Visuais, Música e Dança - nas escolas públicas de Minas Gerais. A pesquisa surgiu a partir da disciplina de Estágio em Teatro da UFMG e envolveu entrevistas com docentes, observações de práticas pedagógicas e análise dos Referenciais Curriculares estaduais. Os resultados apontam que, embora os documentos curriculares não exijam que o professor ensine linguagens fora de sua formação, há uma cultura escolar que perpetua essa prática. Cinco fatores principais explicam essa realidade: orientações da direção escolar, adaptabilidade dos conteúdos à estrutura física e cultural da escola, influência da forma escolar, alinhamento com o ENEM e uso do livro didático. Conclui-se que a polivalência não é uma exigência legal, mas sim uma construção histórica e institucional que desafia a autonomia docente e a qualidade do ensino de Arte. O estudo propõe uma reflexão sobre a formação acadêmico-profissional dos professores e a necessidade de concursos públicos coerentes com suas áreas de especialização, visando a garantir o direito dos estudantes ao acesso pleno às quatro linguagens artísticas.
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