Hiperestética
técnica, poder e a emergência de um regime do sensível
Resumo
Este artigo propõe o conceito de hiperestética como hipótese inaugural para compreender a emergência de um novo regime técnico do sensível na contemporaneidade. Frente à estetização generalizada, à tecnomediação da percepção e à financeirização da atenção, a hiperestética é apresentada não como mera estética digital nem como estilo, mas como uma mutação estrutural da sensibilidade operada por arquiteturas digitais. Entre a aisthesis e a estética moderna do juízo, delineia-se um regime de presença performada, codificação sensorial e produção técnica da experiência. Em diálogo com Benjamin, Gumbrecht, Kittler e Baudrillard, o sensível aparece como campo estratégico de modulação, controle e valoração econômica. O ensaio estabelece balizas conceituais, discute fundamentos epistemológicos, políticos e ontológicos e indica efeitos sobre percepção, desejo e economia da presença. Nomear a hiperestética é, por fim, um gesto epistêmico, político e ontológico.
Referências
BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Tradução de Maria João da Costa Pereira. Lisboa: Relógio d’Água, 1991.
BAUMGARTEN, A.G. Estética. In DUARTE, Rodrigo (Org). O belo autônomo. Belo Horizonte: Autêntica Editora; Crisálida, 2012.
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: BENJAMIN, Walter [et al.]. Benjamin e a obra de arte: técnica, imagem, percepção. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012. p. 11-42.
CRARY, Jonathan. 24/7: capitalismo tardio e os fins do sono. Tradução de Marcelo Jacques de Moraes. São Paulo: Ubu, 2016.
DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: Conversações. São Paulo: Ed. 34, 1992. p. 219-226.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia 1. Tradução de Luiz B. L. Orlandi. São Paulo: Editora 34, 2010.
FEENBERG, Andrew. Tecnossistema: a vida social da razão. Tradução de Eduardo Beira e Cristiano Cruz. Lisboa: Inovatec, 2019.
FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de France (1978-1979). Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de presença. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio, 2010.
HEIDEGGER, Martin. A questão da técnica. In: Ensaios e conferências. Tradução de Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel, Márcia Sá Cavalcante Schuback. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. p. 11-38.
KANT, Immanuel. Crítica da faculdade de julgar. Tradução de Fernando Costa Mattos. Petrópolis: Vozes, 2016.
KITTLER, Friedrich A. Gramofone, filme, typewriter. Tradução de Daniel Martineschen, Guilherme Gontijo Flores. Belo Horizonte: Editora UFMG; Rio de Janeiro: Ed. Uerj, 2019.
LIPOVETSKY, Gilles; SERROY, Jean. A estetização do mundo: viver na era do capitalismo artista. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 1969.
RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. Tradução de Mônica Costa Netto. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2009.
SANTOS, Laymert Garcia dos. Politizar as novas tecnologias: o impacto sociotécnico da informação digital e genética. São Paulo: Editora 34, 2003.
SIMONDON, Gilbert. Do modo de existência dos objetos técnicos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 2020.
WELSCH, Wolfgang. Estetização e estetização profunda ou a respeito da atualidade da estética nos dias de hoje. Porto Arte: Revista de Artes Visuais, v. 6, n. 9, Porto Alegre, 1995. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/PortoArte/article/view/27534. Acesso em: 30 nov. 2024.
ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Tradução de George Schlesinger. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.
Copyright (c) 2026 André Luiz C. Gonçalves

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Direitos Autorais: Os textos e imagens publicados na Revista Virtualia estão licenciados sob a Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Esta licença permite que outros compartilhem, adaptem, e criem a partir do material publicado para qualquer fim, inclusive comercial, desde que seja dado o crédito apropriado aos autores e à revista. Para ver uma cópia da licença, visite: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
.jpg)